Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 24/10/2018

Na série “Todo mundo odeia o Chris”, o protagonista sofria intimidações constantes na escola em que estudava pelo fato de ser negro. Fora do plano cinematográfico, a questão do bullying, infelizmente, é uma realidade bastante comum vivenciada no Brasil. Nesse contexto, deve-se analisar como as falhas na educação e as dificuldades na identificação dos casos influenciam a violência sistemática e seus efeitos.

Em primeiro análise, é importante destacar que deficiências educacionais estão na origem do problema. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o papel da ação educativa é formar cidadãos capazes de contribuir para a harmonia social. Nesse sentido, entende-se que a escola também deve transpassar noções de ética, moral e cidadania, de modo que os alunos estabeleçam relações interpessoais saudáveis. No entanto, o modelo pedagógico vigente foca mais na questão conteudista em vez de dar uma ênfase maior a essa formação mais humanista. Em decorrência desse modelo educacional deficiente, os casos de bullying tornam-se bastante recorrentes.

Outra característica relevante é a dificuldade em identificar os casos. Isso ocorre porque as vítimas relutam em buscar ajuda por medo ou vergonha, e as testemunhas, temendo sofrer as mesmas depreciações, ficam caladas. Além disso, o tema é tratado, por muitos, como brincadeira ou frescura. Consequentemente, tais fatos prejudicam a intervenção de profissionais especializados para dar apoio psicológico e, assim, evitar que tragédias aconteçam. A exemplo de tal catástrofe está o caso do Massacre de Realengo, em 2011, no qual um jovem que sofria bullying cometeu uma chacina contra os alunos de uma escola onde estudara e em seguida suicidou-se.

Torna-se evidente, portanto, que medidas fazem-se necessárias para a resolução do impasse. Em razão disso, o Ministério da Educação deve, através de uma reforma curricular, incluir a disciplina de ética, moral e cidadania na grade dos ensinos fundamental e médio, visando formar cidadãos que colaborem para o bem-estar coletivo. Ademais, as instituições de ensino devem facilitar a identificação dos casos por meio da criação de uma ouvidoria de denúncias anônimas (física e online), com o objetivo de prestar apoio às vítimas e punir os agressores. Desse modo, é possível que casos como o do Chris façam parte apenas do cinema.