Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 25/10/2018
Na série norte-americana “Os 13 Porquês”, a adolescente Hannah Baker foi vítima de bullying dentro do ambiente escolar. Após ser alvo de diversos boatos maldosos que afetaram sua autoestima, a jovem tirou a própria vida para livrar-se do sofrimento. De forma análoga, essa violência devastadora faz-se presente no cotidiano de vários estudantes, sendo imprescindível que as escolas atuem para combate-la, a fim de prevenir a existência de finais semelhantes ao de Hannah.
Primeiramente, o bullying está associado à dificuldade dos indivíduos de lidarem com as diferenças. Não são raros os casos em que a vítima é agredida verbalmente por causa dos padrões estéticos enraizados na sociedade. Neste sentido, no filme “Preciosa”, a protagonista ouvia duros xingamentos por ser gorda e negra, contrária ao modelo eurocêntrico que a mídia perpetuava durante séculos: o de que a beleza “ideal” estava vinculada a uma mulher branca e de corpo magro. É inegável, então, que mesmo que as instituições de ensino sejam espaços de pluralidade, poucas são as atividades que discutem acerca da tolerância e que ofereçam suporte aos alunos para desconstruir visões preconceituosas.
Além disso, a intervenção pedagógica para combater o esse problema é recente, pois somente em 2015, a Lei de Combate ao Bullying foi sancionada. Essa eminente medida legitima tal prática violenta como uma adversidade grave e que não pode ser banalizada, em contrapartida, há docentes que não foram devidamente auxiliados para essa intercessão devido à falta de treinamento. Por conseguinte, os maiores prejudicados são os jovens, tendo em vista que as agressões afetam o estado emocional, levando-os a diminuir o rendimento escolar e, até mesmo, ao desenvolvimento de doenças psicológicas, como a depressão. Assim, esse cenário preocupante precisa ser alterado prontamente.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de resolver tal impasse. À mídia, cabe discutir esse problema, por meio de ficções engajadas, a fim de conscientizar a população – em especial, as famílias, pois essas questões também devem ser tratadas em casa. Ademais, as escolas devem capacitar os docentes, a partir de cursos com pedagogos, para que esses saibam como prevenir o bullying e acolher os discentes; como ainda, oferecer atendimento psicológico nas instituições, a partir da contratação de psicólogos, para cuidar da saúde mental dos estudantes. Só assim, a Lei de Combate ao Bullying terá sua validade comprovada, favorecendo a construção de uma sociedade tolerante e inclusiva.