Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 27/10/2018
O defunto autor de Machado de Assis, Brás Cubas, em suas “Memórias Póstumas” diz que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Decerto, hodiernamente ele percebesse acertada sua escolha, devido a postura de muitos cidadãos frente as práticas de bullying recorrentes no país. Diante dessa realidade, convém se analisar os efeitos devastadores dessa violência que afeta o desenvolvimento de jovens no âmbito social.
É importante ressaltar, antes de tudo, que o bullying se classifica como intimidação sistemática, quando há violência psicológica ou física, humilhação ou discriminação. A maioria desses casos relatados ocorrem nas escolas, análogo a isso, segundo dados fornecidos pela Pesquisa Nacional da Saúde Escolar (PeNSE), mais de 7% dos estudantes informaram que já se sentiram ofendidos ou humilhados e quase 20% declararam que já praticaram alguma situação de intimidação ou ofensa contra algum de seus colegas.
Ligado a isso, consoante ao ativista social Martin Luther King, o que preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons, ou seja, em outras palavras, a quietude das vítimas pode se tornar um problema mais grave, casos como, por exemplo, o “Massacre de Columbine” em 1999, onde dois adolescentes, supostamente vítimas de bullying, em um ato de vingança, mataram 12 alunos e um professor, são evidências disso. Ademais, o despreparo do corpo docente na maioria das escolas dificultam o tratamento dessa adversidade crítica que, por consequência, prejudica demasiadamente os jovens, tendo em vista que as agressões afetam seu estado emocional, levando-os a diminuir o rendimento escolar e, até mesmo, ao desenvolvimento de doenças mentais, como a depressão
Mediante os fatos expostos, faz-se necessário que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, através de cursos instruídos, qualifique os docentes, para que esses possam saber como prevenir e acolher as vítimas de bullying, além disso, deve oferecer acompanhamento psicológico nas instituições, para cuidar da saúde mental dos estudantes, através da contratação de psicólogos. Paralelo a isso, o Governo e a Mídia, juntos, devem intensificar a divulgação da cartilha de bullying criada pelo Conselho Nacional de Justiça, através de propagandas em rádios e TV, a fim de ampliar as informações de que o bullying não é brincadeira e sim algo sério que precisa ser enfrentado com urgência. Ações essas que, iniciadas no presente, poderão ser capazes de modificar o futuro de toda sociedade.