Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 31/10/2018
Como se sabe, o Brasil é um Estado Democrático de Direito e, portanto, está teoricamente consonante com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, que em seu primeiro artigo assegura tratamento digno a todo indivíduo. Contudo, a elevada frequência de casos de “bullying” no país tem impedido uma grande parcela da população de usufruir desse direito fundamental na prática. Assim, a permanência dessa prática retrógrada e discriminatória se configura como um grave infortúnio social.
Em primeiro plano, é essencial salientar que o “bullying” é uma consequência cruel do atual individualismo extremo. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma, em sua obra Modernidade Líquida, que o individualismo é a marca preponderante nas relações humanas hodiernas, o que motiva diversas formas de intolerância. A título de ilustração, pode-se citar o caso recente do professor carioca que sofreu uma série de intimidações sistemáticas por parte de seus alunos. Tal fato ressaltou as diversas facetas dessa problemática, todas nocivas.
De outra parte, a ineficaz atuação estatal é obstáculo para o combate às provocações reiteradas. Nesse contexto, em 2015, foi promulgada a Lei Antibullying, que o caracterizou como qualquer relação agressiva e desequilibrada entre os indivíduos. Entretanto, a mera existência de dispositivos legais não tem sido suficiente para coibir essas práticas truculentas. Com isso, segundo relatório da Unesco de 2017, aproximadamente 25 % dos estudantes brasileiros convivem com essa atitude atroz corriqueiramente.
Por conseguinte, é notório que o “bullying é um revés a ser mitigado iminentemente. Torna-se imperativo que o Estado, na figura do Ministério Público, crie uma espécie de Secretaria que atuará exclusivamente para identificar e autuar os praticantes de intimidações sistemáticas. Além disso, esse Órgão deverá ficar em constante diálogo com as escolas, a fim de averiguar a eficácia das medidas adotadas e instituir uma cultura de vigia constante contra a violência nos setores de formação educacional.