Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 01/11/2018

De acordo com o sociólogo britânico Thomas Marshall, a cidadania é uma conquista de direitos. Nesse sentido, o princípio da dignidade da pessoa humana, previsto na Constituição Federal, faz parte dessa obtenção de prerrogativas. Desse modo, quando indivíduos sofrem violência física ou psicológica em atos de intimidação, humilhação ou discriminação, características do bullying, eles acabam tendo garantias violadas. Esse método de agressão é antigo e, com mudanças nos modelos educativos familiares e novas influências culturais, tornou-se ainda mais presente na sociedade.

Em primeira análise, vale ressaltar que as transformações nos paradigmas educacionais familiares possuem papel preponderante nessa situação. Segundo a doutorando em ciências da educação Cleo Fante, a ausência de limites, a permissividade e o abandono por parte dos pais são possíveis fatores que influenciam a ocorrência dessa problemática, pois, geralmente, os agressores buscam obter divertimento e popularidade constrangendo as pessoas, gerando consequências psicológicas e físicas aos agredidos. Assim, dores de cabeça, depressão, evasão e queda de rendimento escolar são exemplos característicos dos problemas sofridos pelas vítimas.

Ademais, cabe afirmar que, com o advento da tecnologia, a prática do bullying vem crescendo acentuadamente. Consoante a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, os casos registrados de bullying em escolas estaduais aumentaram 8% em 2017, em relação ao ano anterior. Para Cleo, isso se deve a fatores como a força da mídia, principalmente por meio de programas e filmes violentos, e a influência cultural — o egoísmo, o individualismo e o descaso colaborando para a falta de empatia e respeito. Com isso, essa prática consegue alcançar até o ambiente virtual, onde agressores agem anonimamente, intimidando e humilhando diversos cidadãos. Um exemplo disso é o caso de uma adolescente de 12 anos que foi exposta e ridicularizada por meio das redes sociais.

Portanto, a fim de amenizar essa problemática, o Ministério da Educação deve, por meio de mudanças na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, propor que todas as instituições de ensino realizem, mensalmente, reuniões entre professores e responsáveis pelos alunos, com o intuito de, mediante ação conjunta entre escola e família, buscar suscitar nos estudantes um processo de empatia e respeito ao próximo, de modo a objetivar a prevenção da prática do bullying. Além disso, é essencial que as prefeituras forneçam lugares públicos às organizações não governamentais, com a finalidade de, por intermédio de palestras com especialistas, mostrar para a sociedade as dificuldades enfrentadas pelas vítimas, para que os agressores possam repensar antes de violarem a dignidade do outro, pois, assim, doravante, as violações dos direitos cidadãos diminuirão.