Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 02/11/2018
Negligenciado. Incisivo. Transtornante. Assim se apresenta o bullying na atual realidade brasileira. Nesse viés, mais do que coibir com mais violência aqueles que praticam, destaca-se a necessidade de criar meios para a aproximação e o diálogo de pais, alunos e professores. Afinal, para a Ciência Política, “sem coesão de esforços, nenhum país está apto a superar os próprios dilemas”.
A priori, é indispensável que os efeitos do bullying inspiram atenção às suas causas e aos seus responsáveis. Nesse bojo, não se pode negar o valor de fatores graves e emblemáticos, como a naturalização de atos de desrespeito no âmbito escolar, ainda que a fragilidade inerente ao aspecto infantil inspire inocência e despretensiosidade. No entanto, o psicanalista Freud afirma, " a fase infantil é o período de maior vulnerabilidade social", visto isso, coibir e corrigir certas atitudes desde o início, ajuda a modelar e criar um pensamento de respeito e limite à criança. Por consequência, a falta de coerção e educação ética, faz com que 30% dos alunos brasileiros já tenham sofrido algum tipo de violência nas escolas, segundo o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Outrossim, diante do afastamento dos segmentos sociais ( alunos, professores e pais), a falta de comunicação em torno da problemática propicia a disseminação irresponsável do bullying. Nessa ótica, o sociólogo Bauman descreve essa situação como reflexo de uma sociedade individualista e com as relações sociais, cada vez mais, comprometidas. Dessa forma, as crianças que sofrem violências repetitivas, alimentam o medo de denunciar aos pais ou à escola e, assim, “normalizam” tais atos, vivenciando um “pesadelo”. Em decorrência disso, sem dúvida, o sofrimento diário resulta em dificuldades no desenvolvimento psicossocial, intelectual e, concomitantemente, cria uma exclusão social desses indivíduos.
Torna-se evidente, portanto, que alterar a realidade das futuras gerações é uma meta coletiva, urgente e irrevogável. Destarte, o Ministério da Educação, por meio das escolas, deve promover um compromisso com os pais, em que todo mês se discuta o comportamento, problemas e desenvolvimento dos alunos, a fim de aproximar as relações entre os âmbitos escolar e familiar e promover a discussão de forma aberta e resolutiva entre eles. Ademais, o Ministério da Saúde, por meio das secretarias municipais, deve disponibilizar psicólogos semanalmente para as escolas, a fim de acompanhar individualmente cada estudante e ajudar pais e professores a detectar sinais de mudanças de comportamento, transtornos e interação no âmbito escolar. Assim, a construção de um ensino em que todos se respeitem nas diferenças, possibilitará um maior crescimento psicossocial das crianças brasileiras.