Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 23/03/2019
“Às vezes, sinto que ninguém gosta de mim e que a única solução é me matar”. Essa foi a fala de um garoto de 15 anos, vítima de bullying homofóbico na Escola Estadual Onofre Pires. Infelizmente, há incontáveis vítimas da violência sofrida pelo rapaz: o bullying. Esse ato cruel persiste principalmente nas escolas, onde grupos de alunos violentam física ou simbolicamente, aqueles que são vistos como inferiores. Nesse horizonte, a banalização desse panorama e o preconceito atroz são os principais colaboradores para com a persistência dessa bestialidade.
Cabe destacar, primeiro, que o bullying ainda é tratado com indiferença. A título de prova, temos como concordante da afirmação, a pesquisadora da Unesp, Luciene Tognetta. Sob esse viés, essa violência torna-se banal, uma vez que muitos adultos não a consideram motivo de preocupação e assim, ignoram casos de bullying. Dessa forma, o agressor é encorajado a continuar com a violência. Isso é problemático, pois desincentiva denúncias, visto que aqueles a quem vítimas deveriam recorrer mostram-se indiferentes. Essa problemática concretiza-se no posicionamento da filósofa Hanna Arendt, que enfatiza que o mal apenas se instala onde encontra espaço institucional para isso.
Há, então, o preconceito enraizado, que implica uma cruel ideia de hierarquia. Segundo o pensador Goffman, esse é o estigma social: a desaprovação de características marginaliza pessoas. Nesse sentido, minorias como homossexuais, negros e gordos são exemplos das principais vítimas de bullying, pois desviam daquilo que é tido como normal. Esses grupos são reificados, e se tornam objetos de agressões, sejam elas físicas ou psicológicas. Como consequência há, por exemplo, a possibilidade de situações catastróficas, como o atentado à Escola Municipal Tasso de Oliveira, cometido por Wellington Menezes, vítima do bullying com problemas psicológicos.
Urge, portanto, inspirarmo-nos na proposta do especialista francês Eric Debarbieux: garantir a estabilidade do corpo docente. O Ministério da Educação deve instigar a solidariedade e a empatia de professores para com alunos, através da ampliação do estudo de psicologia relacionada ao Bullying no currículo dos cursos de Licenciatura, a fim de capacitar futuros docentes a lidar com a problemática. Ademais, é dever das escolas fornecer um psicopedagogo, a fim de zelar tanto pelas vítimas, quanto tratar psicologicamente os agressores.