Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 25/03/2019

“Às vezes, sinto que ninguém gosta de mim e que a única solução é me matar”. Essa foi a fala de um garoto de 15 anos, vítima de bullying homofóbico na Escola Estadual Onofre Pires. Infelizmente, há incontáveis vítimas da violência sofrida pelo rapaz: o bullying. Esse ato cruel persiste principalmente nas escolas, onde grupos de alunos violentam física ou simbolicamente, aqueles que são vistos como inferiores. Nesse horizonte, o despreparo de profissionais e a banalização desse panorama são os principais colaboradores dessa bestialidade.

Certamente, essa trivialização implica na continuidade dessa violência. Isso, pois, ao tratar o bullying como algo banal, os pedidos por ajuda feitos pelas vítimas serão desprezados e assim, desencorajados. Consequentemente, os valentões ficarão impunes, e se sentirão legitimados a prosseguir assediando as vítimas. Dessa forma, o bullying encontra espaço na instituição, e assim, o pensamento da filosofa Hanna Arendt é concretizado: a violência apenas se instala quando a sua presença é “permitida”. O problema é que esse cenário resulta nos lamentáveis índices divulgados pela UNICEF: 11% dos estudantes no mundo sofrem bullying.

Há, além disso, o despreparo dos docentes. Segundo a reportagem feita pelo G1, especialistas alegam que as instituições brasileiras não estão preparadas para lidar com o assunto. Assim, visto que a escola é o principal cenário do bullying, e que os educadores, principais atuantes na convivência com os alunos, estão impotentes contra a situação, essa violência se vincula cada vez mais onde nessas instituições. Como consequência há, por exemplo, a possibilidade de um “contra-ataque”. Nesse limiar, ocorrem calamidades, como o atentado à Escola Municipal Tasso de Oliveira, cometido por Wellington Menezes, vítima do bullying com problemas psicológicos.

Urge, portanto, aplicar a proposta do especialista francês Eric Debarbieux: garantir a estabilidade do corpo docente, a fim de lidar com o panorama. O Ministério da Educação deve instigar a solidariedade e a empatia de professores para com alunos, por meio da ampliação do estudo de psicologia relacionada ao Bullying no currículo dos cursos de Licenciatura, a fim de capacitar futuros docentes a lidar com a problemática. Ademais, é dever das escolas fornecer um psicopedagogo, a fim de zelar tanto pelas vítimas, quanto tratar psicologicamente os agressores. Destarte, o bullying será erradicado da sociedade.