Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 02/04/2019
Na obra “O Ateneu”, o escritor Raul Pompéia retrata um internato que reflete a sociedade e sua divisão de classes, correlacionando as práticas de bullying e a opressão sofrida pelos alunos. Fora das páginas da literatura, muitas pessoas vivenciam semelhante situação, haja vista que o modelo de educação vigente em consonância com a falta de punições efetivas são ojerizas precursoras desse impasse. Nesse viés, convém analisar os efeitos do bullying na sociedade brasileira.
É relevante enfatizar, a princípio, que o individualismo é responsável por motivar práticas de bullying. Isso acontece porque o ensino brasileiro falha na promoção do pensamento autônomo, o qual conforme defende o educador Paulo Freire na obra “Pedagogia do Oprimido”, é imprescindível a emancipação de condutas pessoais inadequadas. Assim, no contexto da pós modernidade e consequente fragilidade nos laços afetivos, propicia-se que práticas ofensivas e desrespeitosas perpetuem em detrimento do senso de coletividade e respeito.
De outra parte, falhas na promoção de justiça são obstáculos enfrentados na luta contra o bullying. Há ineficiente coerção - tipificação, investigação e punição- frente aos delitos que envolvem a problemática. Esta, conforme defende o filósofo Cesare Becaria na obra “Dos Delitos e Das Penas”, favorece a ousadia hostil dos agressores. Dessa forma, a indiferença humana ou a banalização institucionalizada nos espaços de ensino acarreta em consequências negativas na vida de crianças e jovens.
Evidencia-se, portanto, que otimizar o senso crítico e a falha na promoção de justiça faz-se indispensável para que o combate ao bullying logre êxito. Nesse sentido, o Ministério da Educação deve divulgar propagandas nas mídias televisiva, digital, impressa e radiofônica que estimulem crianças e jovens a refletirem sobre o princípio da dignidade humana, com o intuito de ampliar a empatia e os respeito nas relações pessoais. Ademais, ONG´s e cidadãos engajados contra a problemática precisam realizar projetos que solicitem maior severidade na coerção de punições, para que a impunidade não perpetue na sociedade.