Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 26/05/2019
No filme “Extraordinário” é retratada a vida do pequeno Auggie Pullman que devido a sua diferente aparência, ocasionada por uma doença genética raríssima, passou a ser vítima de bullying por parte de seus colegas. De forma análoga a tal obra cinematográfica, e não muito díspare da realidade, atualmente, pode-se evidenciar que o bullying constitui-se como um dos principais problemas que acometem, em especial, crianças e jovens nos múltiplos ambientes de interação. Diante disso, entender as raízes e consequências de tal prática e os agentes sociais envolvidos faz-se fundamental para solucioná-la.
Assim, de início, pode-se definir o bullying como a prática de atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetitivas, cometidas por um ou mais agressores contra uma vítima ou um grupo. Dentre as possíveis causas, listam-se: questões étnicas, religiosas, de gênero, de orientação sexual e social. Deste modo, como uma forma de impedir a disseminação do ato em notoriedade, no Brasil em 2015 foi sancionada a lei 13.185 que instituiu o “Programa de Combate à Intimação Sistemática”. Contudo, mesmo frente a esforços promovidos pelo Estado, hoje, o país possui o segundo maior índice de pais e mães que dizem que seus filhos já foram vítimas de bullying na internet, de acordo com dados do IPSOS, o que ressalta o papel das redes sociais na dispersão de ações ofensivas.
Ademais, é válido evidenciar as consequências que esse tipo de agressão pode desencadear. Nesse sentido, tristeza, isolamento, medo, problemas de saúde e até suicídio são alguns dos exemplos que esse comportamento sistemático é capaz de suscitar em crianças e jovens. A partir disso, ressalta-se o quão essenciais são as funções exercidas tanto por parte das famílias quanto das escolas e dos órgãos públicos em se tratando do suporte e da identificação das vítimas e agressores. A título de referência, tem-se a série “13 Reasons Why” que destaca temas como o suicídio, o desconhecimento da família sobre os fatos ocorridos e a ineficiente habilidade dos docentes para lidar com a questão do bullying. Logo, cabe ao MEC em parceria com o MS promover a capacitação de psicopedagogos para atuarem dentro dos ambientes de ensino, no intuito de, além de observar e atender, de maneira sigilosa, as vítimas do bullying, também proporcionar palestras com os estudantes e, inclusive, com a família desses, para instruir sobre o assunto, buscando construir um sentimento de empatia para lidar com o outro. Sincrônico a isso, os responsáveis pelas redes sociais devem desenvolver mecanismos que contribuam para o enfrentamento do cyberbullying, como é o caso do Facebook que adotou uma tecnologia chamada de “aprendizado autossupervisionado”, que será importante para identificar novas formas de discurso de ódio e insultos entre os usuários.