Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 22/06/2019
Na série espanhola “Merlí”, a prática do bullying leva o personagem Ivan a desenvolver o distúrbio psicológico denominado agorafobia - pânico de lugares e situações que causem constrangimento - seguido pelo abandono escolar como fuga das agressões sofridas. Fora das telas, as agressões repetidas e intencionais dirigidas aos companheiros de classe refletem um grave problema social, seja pelas relações de poder dentro dos colégios, seja pela omissão tanto das famílias quanto das escolas ao banalizarem o enfrentamento da problemática.
A priori, o bullying parte da premissa de que a violência constitui método de obtenção de poder perante as minorias. Isso se deve a tradição de autoritarismo e opressão dentro dos centros escolares, o que por fim resulta na reprodução de comportamentos execráveis dos alunos uns com os outros. Dessa maneira, tal como determina o filósofo Michel Foucault, na obra “Vigiar e Punir”, a escola é instrumento de violência e opressão dos indivíduos. Logo, é necessário rever a verticalidade das relações dentro das instituições de ensino, tornando o ambiente acadêmico inclusivo.
Outrossim, a omissão familiar e mesmo a inércia de profissionais da educação no combate efetivo a zombaria empreendida por um aluno em detrimento de outro é fruto da ideia de que a bolinação é algo positivo contribuindo para o fortalecimento da personalidade do individuo. Assim, os pais consideraram a situacionalidade como vitimismo, naturalizando a prática e reproduzindo o conceito de “banalidade do mal”, defendido pela filósofa Hannah Arendt, no qual o indivíduo comum acaba vendo o mal como algo normal, sem medir suas possíveis implicações. Contudo, o constrangimento imposto as vítimas pode levar a traumas físicos e psicológicos resultando na construção de um corpo social agressivo. Prova disso foi o massacre de Suzano - em março de 2019 - no qual os ofensores eram ex alunos da instituição de ensino e foram vitimas de humilhação e praticas vexatórias enquanto estudantes.
É fulcral, portanto, o combate ao bullying na sociedade. Assim, cabe ao Ministério da Educação destinar verbas para capacitação de professores com o fito de identificar e lidar com os conflitos entre alunos, bem como abordar a problemática em sala por meio das aulas de disciplinas como História e Sociologia a fim de dar notoriedade a situação gravosa e destacar a importância de extirpar esse comportamento reprovável. Ademais, os familiares devem participar de maneira ativa na vida dos juvenis buscando o incentivo ao compartilhamento de experiências, visando a saúde emocional e formação social adequada. Desse modo, é possível mitigar os casos de abusos, desrespeito e toda sorte de violência dentro e fora das classes.
Escolas: Abordagem do tema em sala, com vistas a explicitar gravidade do assunto e combater a agressão; incentivo ao compartilhamento de experiências, por vítimas e agressores, com vistas a incentivar a empatia.