Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 22/06/2019

Na série televisiva, veiculada pelo Netflix, 13 reasons why, ocorre o retrato de como uma sucessiva prática de atos de violência, dos mais variados tipos, podem imprimir danos irreparáveis ao alvo. Tais ações são chamadas de “bullying” e no contexto brasileiro são extremamente comuns, pois de acordo com o Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA), 1 em cada 10 estudantes do Brasil são vítimas dessa situação. É evidente que esse mal já está enraizado na sociedade, sendo assim seus danos possuem ampla atuação, malefícios os quais podem ser divididos em dois espectros, o infantil que atrapalha a formação integral da vítima e o adulto que emprega normalidade ao ato.

Em primeiro lugar, a escola junto a família são as duas principais instituições de formação sociocultural e quando uma das duas falha um indivíduo “incompleto” e “danificado” é entregue ao mundo. Nesse sentido, de acordo com Paulo Freire, quando a educação não assume seu papel o sonho do oprimido é se tornar o opressor, fato observável nos inúmeros casos em que a vítima retorna ao local das agressões para cometer atos terroristas, como por exemplo no caso de Susano. Por isso, uma das principais consequências do bullying infantil é justamente a falha da formação do indivíduo, logo as resultantes são pessoas incapazes do convívio social pleno que podem retornar o ciclo da violência.

Outro aspecto é o papel de normalidade que o bullying assume quando praticado corriqueiramente na vida e nos ambientes adultos. Dessa maneira, o conjunto de ações de violência nos mais variados tipos toma outra roupagem, pois tal ato não tem o mesmo poder “degenerativo” no jovem e no adulto. Por conseguinte, esse ato cotidiano transforma a visão que o mais velho possui em relação a essas ações, como consequência pais ou até mesmo professores não tratam o mal praticado na infância com a devida atenção, contribuindo para a manutenção da ocorrência dos danos infantis.

O bullyng, portanto, possui grandes danos quando direcionado as crianças e tem um papel para a reincidência desses atos na juventude quando direcionado aos adultos. Por isso, é preciso uma virada na visão que a sociedade possui em relação a essas práticas, trazendo-os para o combate e evitando que o ciclo da violência continue. Para tal o Ministério da Educação, em parceira com o Ministério da Cidadania, deve formular com auxílio de especialistas, uma abordagem de conscientização dos pais por meio das rede sociais, fornecendo artigos, comentários e videos, protagonizados pelos próprios alunos, no intuito de promover a interação da comunidade escolar e o alerta dos pais sobre como identificar e combater o bullying. Essa medida visa que os dois principais atores do desenvolvimento infantil sejam aliados no combate e na prevenção de uma prática tão danosa que assombra a sociedade.