Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 20/06/2019

No limiar do século XXI, o “bullying” aparece como uma das práticas mais evidentes na sociedade brasileira. É mediante tal questão que muitos jovens são expostos a violência, seja ela física, verbal ou psicológica - por meio de intimidações sistemáticas. Nesse contexto, é indispensável salientar que a omissão das escolas e das famílias está entre as causas da problemática, haja vista que o assunto não é amplamente debatido. Diante disso, vale discutir as implicações que a prática do “bullying” pode motivar na sociedade e a importância da educação para a evolução do país.

Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que a habituação da prática de “bullying” nas escolas configura-se um impasse. A partir dessa linha de raciocínio, um exemplo que evidenciou bastante a problemática foi testemunhado por uma escola do Rio de Janeiro, em 2011. Nesse caso, um ex-aluno, Wellington Menezes, disparou mais de cem tiros contra vários estudantes e professores, de tal forma que doze dessas pessoas perderam suas vidas. Diacronicamente com o contexto, foi evidenciado pelos investigadores que o retorno de Wellington à escola em Realengo foi motivado por práticas de “bullying”, as quais o ex-aluno foi vítima naquele mesmo ambiente. Dessa forma, o educador Paulo Freire evidencia a função da escola na exposição de injustiças, de modo a incentivar a colaboração, a convivência com o diferente e, sobretudo, a destituição do sonho do oprimido em querer se tornar o opressor.

Outro ponto em destaque - nessa temática - é a relevância da educação para o desenvolvimento da nação. Diante desse pensamento, o filósofo Immanuel Kant sustenta a ideia de que o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Logo, ao crescer em um ambiente onde a prática de “bullying” é vista como algo banal, o indivíduo torna-se suscetível a ser um agressor no futuro, o que fomenta, de forma sistemática, esses atos de violência. Nesse sentido, é imprescindível que debates sejam realizados no sentido de envolver os estudantes, os professores e as famílias dos alunos. Na contramão desse cenário, estudos do Instituto de Pesquisa de Campinas indicam que apenas 12% dos pais são comprometidos com a educação dos filhos. Além disso, essa mesma pesquisa releva a ausência de psicólogos em, aproximadamente, 85% dos centros educacionais do país.

Fica evidente, portanto, que a problemática supramencionada necessita ser combatida. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação solicitar o direcionamento de, pelo menos, 7% das arrecadações das prefeituras para a contratação de psicólogos em todas escolas públicas. Esses profissionais deverão atuar no sentido de estabilizar emocionalmente e proporcionar debates com estudantes e familiares sobre o “bullying”. Com isso, será possível evitar casos como o de Wellignton.