Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 15/06/2019
No drama “Preciosa”, de 2009, a personagem Clareece comprova que há 29 anos os Estados Unidos já discutiam o tão perigoso Bullying. Violentada pelo pai e negligenciada pela mãe, a menina de 16 anos, já com um filho, ainda precisava lidar com os duros deboches em sala de aula, alimentando o seu isolamento e consequentemente, o distanciamento do aprendizado escolar. No Brasil, a realidade não é diferente, porém, a verdadeira preocupação só chegou ao país de forma legal no ano de 2015, por meio da lei de combate á intimidação sistêmica. Nesse sentido confirma-se que, diferente da situação norte-americana, a luta no Brasil é recente e ainda apresenta entraves.
Primordialmente, verifica-se que, o ambiente escolar é um dos principais cenários que encontra-se a prevalência do bullying. De acordo com a teoria do estigma, do sociólogo Erving Goffman, a sociedade sempre foi pautada nas divisões, nos preconceitos e nos estigmas. De maneira análoga, é possível perceber que, a sociedade possui seus próprios estigmas e os mesmo são passados para cada geração, de forma “natural”, como regra ou hábito. Assim, causando um tipo de hierarquia social de um determinado grupo sobre outro, o que acontece no cotidiano educacional. Prejudicando o desempenho de seus alunos, provocando déficits cognitivos e emocionais que podem ter sequelas até a fase adulta.
Outrossim, destaca-se o cyberbullying como impulsionador do problema. O “termo” cyberbullying corresponde às práticas de agressão moral, por meio de redes sociais, ou seja, virtualmente. Segundo o filósofo Habermas, o agir comunicativo fundamenta-se da força sem violência do discurso argumentativo. Entretanto, observa-se que no contexto virtual, a liberdade de expressão tem sido usada de forma pejorativa e prejudicial, seja por apologia á algo/alguém, seja pelo discurso de ódio e intolerância contra o próximo e suas diferenças. Com o intuito de ridicularizar a vítima, a agressão contínua pode trazer consequências graves como lesões psicológicas e isolamento social.
Portanto, torna-se evidente que ainda há entraves para garantir a solidificação de um mundo melhor . Destarte, o poder público, criador da lei que combate a intimidação sistêmica, deve criar fiscalizações no ambiente escolar e social, promovendo maior acompanhamento dos casos e visando observar o comportamento dos agressores, que na maioria dos casos também precisam de ajuda. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) junto com a mídia deve instituir nas escolas e redes sociais, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate ao bullying de forma geral, assim, será possível evitar que, no Brasil, 29 anos depois, tenhamos mais figuras como a de Preciosa, que precisava dos sonhos para escapar da realidade que sua vida costumava ser.