Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 16/06/2019

Nos quadrinhos “A Turma da Mônica”, de Maurício do Souza, a personagem principal sofre diariamente com xingamentos e julgamentos feitos por Cebolinha devido a sua aparência física, e, revida com violência a tais insultos. Ao sair da ficção, percebe-se que, na realidade, parcela da sociedade ainda não consegue respeitar e tolerar as diferenças individuais, e ao praticar o bullying, compromete a integridade física e psicológica de muitos. Nessa perspectiva, cabe analisar as motivações dessa questão e seus efeitos para as próximas gerações.

Em uma primeira análise, é fundamental pontuar que, na maioria das vezes, o bullying inicia-se nas escolas com o desenvolvimento do convívio social. Tal fato ocorre porque, quando em fase de formação, crianças e jovens, tendem a ter a necessidade de autoafirmação, assim, atitudes mais intolerantes e de violência são comuns contra aqueles que não seguem ao padrão estabelecido. Dessa forma, a “cultura da paz”, defendida pelo educador Paulo Freire, em que a educação tem o papel de incentivar a colaboração com o diferente e ir contra as injustiças, não é praticada de maneira efetiva.

Paralelamente a essa questão social, é possível notar que, consequentemente, as vítimas de bullying podem apresentar maior dificuldade para a disputa de vagas no mercado de trabalho. Segundo a Associação Brasileira de Proteção à Infância e Adolescência, após sofrer bullying, os indivíduos tendem a apresentar alterações psíquicas,  que as tornam cada vez mais isoladas no convívio social. O que de maneira direta, as deixam em desvantagem nos processos seletivos, visto que podem ter habilidades requeridas pelas empresas comprometidas, como  tomada de decisões  e trabalhos em grupo.

É imprescindível, portanto, que há necessidade de reverter o cenário atual. Para que se crie uma sociedade capaz de conviver e respeitar com as diferenças sociais, físicas e culturais, cabe às instituições formadoras de moral, como famílias e escolas, promoverem debates e discussões nos lares e nas salas de aulas sobre empatia e tolerância, por meio de documentários, dinâmicas e filmes que agreguem conhecimento e alerta sobre as consequências do bullying. Ademais, o Ministério da Educação deve promover campanhas em escolas e universidades, por meio de envio de psicólogos e assistentes sociais, a fim de preparar professores e alunos para combater a prática de bullying. Dessa maneira, a quantidade de “Cebolinhas” irá diminuir na sociedade contemporânea.