Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 23/06/2019
No ano de 2015, a Lei de Combate ao Bullying foi sancionada no Brasil com o objetivo de diminuir o crescente número de casos registrados em escolas de todo o país. Com isso, as instituições de ensino passaram a ter responsabilidade na implementação medidas de fiscalização e prevenção no ambiente escolar. Todavia, devido à ausência de participação ativa da família na vida acadêmica do estudante, péssima articulação das políticas públicas do MEC (Ministério da Educação), somados ao descaso nas redes de ensino, em especial na rede pública, o combate mostra-se ineficaz. Diante desse panorama, cabe análise das principais causas, consequências e possíveis intervenções para o impasse
Inicialmente, é possível compreender que a família tem papel fundamental no contexto escolar de um indivíduo, pois, uma vez inserida em situações de abusos físicos e psicológicos, é a ela que a criança irá recorrer ou demonstrar sinais comportamentais, tais como agressividade ou depressão. Entretanto, segundo pesquisa realizada pela Agência Brasil, apenas 12% dos pais brasileiros são, de fato, ativos na vida escolar dos estudantes, o que evidencia o agravamento dos abusos despercebidos. Tal situação é abordada nos famosos quadrinhos da Turma da Mônica, nos quais a protagonista sofre diariamente com insultos e humilhações que a abalam emocionalmente e a fazem responder de maneira agressiva contra seus colegas.
Em segundo lugar, desde a promulgação da lei, o MEC manteve-se inerte quanto à adoção de políticas de combate nas redes de ensino, abordando a violência escolar de maneira superficial e apenas manifestando-se efetivamente após a ocorrência de um massacre na instituição de ensino Raul Brasil em São Paulo no ano de 2019, que, de acordo com o Portal G1, teria por motivação principal a ocorrência de bullying. Logo, tal situação corrobora dados levantados pelo Jornal O Globo, que afirma que o Bullying no Brasil é, pelo menos, duas vezes maior do que a média internacional. Em suma, tal fato explica-se pelo despreparo de atuação da direção escolar, pois, ainda segundo o jornal, pelo menos 45% dos diretores e chegaram ao cargo por indicação política, sem critérios meritocráticos.
Infere-se, por conseguinte, que o sistema educacional brasileiro tem falhado gravemente no combate ao Bullying nos colégios. Logo, para que ocorram mudanças nesse cenário, seria necessária a criação de um projeto de combate à violência nas escolas, através de campanhas voltadas para alunos desde a educação básica. Nela, palestras semanais seriam ministradas por psicólogos e docentes nas instituições de ensino, que, ainda, realizariam visitação mensal à residência do estudante, permitindo ao profissional que apresente à escola um relatório mensal da situação psicológica do jovem, de modo a facilitar a identificação dos casos de bullying, bem como a severa punição de seus responsáveis.