Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 24/06/2019
No livro “Extraordinário” de R.J. Palácio, é retratada a história de August Pullaman, menino que acabara de ser inserido na vida escolar e , com o suporte dos pais e irmã, enfrenta com resiliência o preconceito sofrido em razão de uma deformidade no rosto. Em contraste com o cenário do Brasil hodierno, a juventude canarinha também padece com o bullying, ocasionado pela intolerância arraigada no pensamento da sociedade e pela facilidade em sua propagação.
Primordialmente, convém destacar que, embora o Estatuto da Criança e do Adolescente defenda a proteção contra a descriminação, o corpo social é displicente em ampará-los como a lei garante. Consoante a Lev Vygostsky, psicólogo bielo-russo, o aspecto cultural afeta diretamente no desenvolvimento físico e psíquico de cada individuo, além de considerar a escola um local preponderante para o progresso. Nessa perspectiva, pais e professores têm responsabilidade sobre a problemática, pois são percursores da disseminação do ódio, tanto ao transmitir valores negativos, quanto ao negligenciar o ensino de respeito às diferenças. Logo, é evidenciado que o preconceito representa uma tóxica “herança” passada de geração para geração.
Paralelamente, cabe destacar a instantaneidade da difusão de informações como fator marcante ao impasse. O advento da internet com a Terceira Revolução Industrial forneceu um ambiente propício para o “cyberbullying”, já que os agressores, antes restritos à agressões físicas, verbais e psicológicas cometidas insistentemente no meio “real”, são favorecidos pelo anonimato possibilitado pelo palco do âmbito virtual. Por conseguinte, os efeitos gerados nas vidas podem permanecer por toda a vida, de modo a provocar complexos de inferioridade, quadros depressivos, suicídios e o desejo vingança. Em virtude disso, casos como o Massacre de Realengo acontecem, onde o assassino, motivado em fazer justiça aos maus tratos da infância, mata dezenas de crianças na mesma escola em que, por anos, estudou. Assim, o Brasil se tornou o quarto país com maior prática de bullying no mundo,segundo a Unicef ( Fundo das Nações Unidas para Infância).
Destarte, é imprescindível uma ação conjunta entre Estado e comunidade. Essa deve participar ativamente dos projetos propostos pelas secretarias municipais, que, por sua vez, em parceira com a mídia, devem promover campanhas intituladas como, por exemplo,“Não é só uma brincadeira”.Por meio de palestras ministradas por psicólogos em instituições de ensino, o respeito ao próximo e a valorização das diferenças poderão ser enfatizados, além de orientar a família a identificar possíveis casos de violência (seja nas escolas ou em redes sociais) e encaminhá-los para devida punição prevista por lei. Portanto,a nação aprenderá que dentro de cada um há um ser extraordinário como August.