Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 20/06/2019

“Acredito que as crianças são o nosso futuro. Ensinem-as bem e deixem-nas liderar o caminho.” Em sua canção denominada “Greatest Love of All”, a falecida cantora Whitney Houston expressa a importância da educação na formação da cognição dos indivíduos de nossa sociedade. Sabe-se, entretanto, que a prática do bullying afeta o desenvolvimento dos infantojuvenis, e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 46% de nossos alunos já sofreu algum tipo de hostilidade. Com isso, cabe analisarmos os efeitos que as agressões contínuas podem trazer para o corpo social, considerando este empecilho na formação dos futuros cidadãos.

Em primeiro lugar, o bullying é um fator ambiental que contribui para a formação de transtornos neurológicos e psiquiátricos. Como afirma o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o desenvolvimento dessas patologias é decorrente, em sua maioria, de um ambiente social inicial problemático. Nessa questão, as escolas são uma das principais bases da infância e da adolescência, e a hostilidade entre os alunos pode acarretar no desdobramento, em determinados indivíduos, da ansiedade, antissociabilidade e depressão. Desse modo, é essencial que esta prática não seja estimulada em ambiente algum, seja este cibernético, escolar ou familiar.

Ademais, são recorrentes os casos em que o bullying pode levar à tragédias. O contexto de vulnerabilidade social e de falta de políticas de segurança pública, que definem a sociedade brasileira, além da realidade de intolerância e distanciamento entre familiares e amigos, colabora para atos de violência. De acordo Sigmund Freud e Jacques Lacan, alguns indivíduos que não conseguem, devidamente, externar um momento de angústia, podem projetar o sentimento por meio da destruição. No ano de 2019, por exemplo, dois jovens armados invadiram uma escola na cidade de Suzano, em São Paulo, e mataram oito pessoas, se suicidando em seguida.

Por conseguinte, urge que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, invista na qualificação adequada de profissionais, como pedagogos e psicólogos, para identificarem os indivíduos que não só praticam, como também sofrem o ato do bullying. Dessa forma, será possível desenvolver diálogos e, até mesmo, tratamentos para evitar a prática. Além disso, as organizações não governamentais, em conjunto com as famílias e o Poder Público, devem produzir campanhas de prevenção contra a intolerância, de modo a evitar crimes de ódio e promover o respeito e a tolerância entre os cidadãos. Assim, com as instituições sociais responsáveis pela educação estando devidamente preparadas para combater o bullying, as crianças serão, de fato, bem ensinadas e poderão liderar o caminho do nosso futuro.