Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 22/06/2019

A Lei n° 13.185 classifica o bullying como intimidação sistemática, ou seja, todo ato de violência física ou psicológica intencional e repetitiva sem motivação evidente. Contudo, fica perceptível que essa lei, em vigor desde 2016, não é suficiente para reduzir essa prática sendo indispensável outras intervenções. Nesse contexto, analisar o bullying, numa perspectiva social, implica em entendê-lo como consequência de diversos conflitos oriundos das mudanças que a sociedade vem passando ao longo dos anos e assim favorecendo a perpetuação desse comportamento agressivo.

Em primeira análise, vale ressaltar os diversos fatores que corroboram essa realidade, tais como conflitos domiciliares, passividade da escola e dos familiares e a falta de denúncia. Nesse sentido, o comportamento do agressor é um reflexo do cenário no qual está inserido. Muitas vezes, quem pratica o bullying é exposto, com frequência, à violência doméstica, instabilidade social e familiar, sendo, desse modo, produto da violência. Além disso, considerando que essa prática na maior parte dos casos acontece nas escolas, longe da presença dos adultos e que grande parcela das vítimas não fala sobre a agressão, pode-se entender por que a escola e a família têm pouca percepção do bullying e assim não atuam de forma eficiente para alterar essa situação.

Por outro lado, note-se as inúmeras consequências dessa intimidação. Sob esse viés, é possível observar que pessoas que sofrem bullying estão mais propensas a desenvolverem transtornos físicos e psicológicos, apresentarem baixa auto-estima e agressividade. Da mesma forma, o autor do bullying tem maior risco de apresentar problemas associados ao isolamento social quando adultos e à perda de oportunidades, como instabilidade no trabalho e relacionamentos afetivos pouco duradouros. Segundo  Paulo Freire, importante na escolas não é só estudar, é também criar laços de amizade e convivência e com isso, eliminar a não aceitação das diferenças. Dessa maneira, reduzir a prevalência de bullying nas escolas pode ser uma medida de saúde pública altamente efetiva para para século XXI.

Torna-se evidente, portanto, que a questão do bullying é incoerente com o Estado Democrático atual sendo assim imprescindível que medidas sejam tomadas para minimizar essa problemática. Para tanto, o Ministério da Educação deve promover palestras nas escolas, para alunos e seus familiares por meio de debates e panfletos informativos sobre as causas e possíveis consequências do bullying a fim de reduzir a exposição da criança aos fatores de risco, umas vez que a intervenção precoce, tanto em relação aos alvos quanto aos autores, pode conter os danos tardios. Cabe ainda, ao Estado investir no treinamento dos profissionais no âmbito escolar para melhor atuação desses nesse cenário.