Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 23/06/2019

Na animação: “Frozen, uma aventura congelante”, a personagem principal, Elsa, possui o poder de congelar tudo aquilo que toca. Diante da inabilidade de lidar com tal situação, seus pais a isolam num castelo, impossibilitando-a de manter contato com o mundo exterior. Apesar de ser uma ficção, o longa aborda uma realidade extremamente presente no Brasil contemporâneo: pais que isolam seus filhos por medo do bullying, que se propaga graças à dificuldade da população em lidar com o diferente, além da omissão do poder público quanto ao caso, afastando milhares de crianças e adolescentes das esferas acadêmica, cultural, social e, consequentemente, econômica.

De início, pode-se lembrar que o bullying sofrido, especialmente por crianças e adolescentes, não é uma invenção do século XXI; Em 1808, com a vinda da família real portuguesa ao Brasil, os signos opostos “educação” e “ignorância” fizeram-se extremamente presentes no país, afinal, apesar da criação de diversos colégios e universidades, o bullying proveniente do preconceito e da discriminação, circulava livremente nas instituições de toda a nação. Na contemporaneidade, mesmo com o avanço dos direitos humanos, essa realidade ainda se faz presente. Segundo o Ministério da Educação, um em cada dez estudantes brasileiros é vítima de bullying e leva traumas físicos e psicológicos até a sua fase adulta. Esse dado alarmante comprova que a educação, empatia, pluralidade e a desconstrução de preconceitos ainda são uma utopia no país.

Sabe-se que a constituição cidadã de 1988 garante pleno acesso aos direitos básicos do cidadão, como, por exemplo, educação e segurança. Em contraste, o governo age com imensurável descaso ao não proporcionar políticas públicas efetivas com objetivo de combater o bullying. Assim, milhares de jovens traumatizados são afastados da esfera socioeconômica do país e vivem uma realidade de violência física e mental, sem forças para combatê-la. Segundo o educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma, sem ela tampouco a sociedade muda”, sob esse viés, pode-se afirmar que o único meio viável de combate ao bullying e à discriminação, é a educação pública, gratuita e de qualidade.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. O Ministério da Educação deve promover uma campanha de conscientização nas escolas, com propósito de mostrar aos alunos e à comunidade, as trágicas consequências do bullying. É imprescindível que a mesma conte com a presença de psicólogos para dar total apoio às vítimas e aos praticantes das agressões, além da distribuição gratuita de livros didáticos, com linguagem simples e clara que mostre a todos, como lidar com a situação. Somente assim será possível alcançar um Brasil justo, pacífico e equitativo.