Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 28/06/2019
Segundo o filósofo Michael Foucault, as relações humanas são baseadas em relações de poder. Tal pensamento se encaixa no contexto nacional quando se é observado os efeitos negativos do bullying na sociedade brasileira, principalmente no ambiente escolar. Nessa conjuntura, cabe analisar os motivos que corroboram esse mau comportamento, dentre eles o preconceito praticado pelos agressores e a normatização desse feito.
A priori, é importante compreender como o preconceito serve de cenário para o exercício do bullying nas salas de aula. Seguindo essa lógica, o também filósofo Immanuel Kant discorre que o indivíduo age consoante suas máximas, ou seja, de acordo com o seu juízo particular. Nesse sentido, ao pensar apenas pelo próprio ponto de vista, o agressor, imbuído de poder, enxerga e sustenta a ideia de que o outro, que não faz parte do seu ideário, é inferior e, por isso, a violência contra ele é legítima. Dessa maneira, a intolerância é diretamente estimulada por essa visão e isso faz com que as formas de violência — sejam elas físicas, psicológicas ou verbais — perpetuem-se sem obstáculos pelas escolas brasileiras, conforme afirma dados do Ministério da Educação (MEC), em que pelo menos 1 a cada 10 estudantes é vítima de bullying no país.
Outrossim, é notável como a idealização da violência é um fator contribuinte para essa situação. Sob esse raciocínio, tal prática é chamada de “banalidade do mal” pela socióloga Hannah Arednt, que afirma que a manifestação violenta, por ser frequente, deixa de ser condenada pela maioria. Logo, ao serem incorporadas e reproduzidas em grande escala, apelidos pejorativos, brincadeiras agressivas, “zoações” desrespeitosas e outras atitudes são desqualificadas como ofensivas. Assim, o bullying e sua práxis são banalizados, impedindo a sua identificação e o seu combate.
Infere-se, portanto, que há entraves para superar o bullying no Brasil. Para minimizar os efeitos desse mau hábito, é preciso que, primeiramente, o MEC discuta essa temática nas salas de aula, por meio da inserção do tema dentro da Base Nacional Comum Curricular. Além disso, a mídia, em parceria com as secretarias estaduais e municipais, deve promover campanhas de engajamento nas escolas que incentivem a tolerância ao próximo. Ambas essas propostas ajudarão os estudantes a enxergar o bullying e todas as suas formas de execução como atos errôneos. Destarte, essa situação irá ser gradativamente atenuada e as relações de poder descritas por Foucault ficarão apenas na teoria.