Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 23/06/2019

Problema Silenciado

Em 2011, a sociedade brasileira presenciou o assassinato de 12 crianças, motivado pela revolta de um rapaz que havia sofrido constante opressão na escola. Esse massacre reascendeu um assunto até então silenciado: o bullying, que se mostra grave problema social e deve ser erradicado sob pena de prejuízos à nação.

A princípio, a cultura de preconceito inviabiliza o combate ao bullying no ambiente escolar. A esse respeito, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda defende na obra “Raízes do Brasil”, que o brasileiro costuma agir de forma discriminatória, apesar da aparente cordialidade — conceito desenvolvido pelo autor — e tende a tomar atitudes imprudentes. Nesse viés, aqueles que praticam o bullying se encaixam na ideia defendida por Buarque de Holanda, na medida em que são incapazes de compreender que a opressão no ambiente escolar, por mais simples que seja — ou pareça ser — produz efeitos negativos não só às vítimas, mas também a toda a escola. Assim, a conduta de discriminação denunciada pelo sociólogo brasileiro precisa ser desconstruída no Brasil.

De outra parte, a omissão do Estado torna ineficaz o combate à opressão nas escolas. Nesse contexto, em 2015 foi promulgada a Lei Antibulliyng, que caracterizou o problema sob o nome de intimidação sistemática e definiu como qualquer relação de desequilíbrio de poder, manifesto por agressões físicas, verbais ou psicológicas. Entretanto, a simples existência da lei não tem sido capaz de desestimular o problema dentro do ambiente educacional. Dessa forma, enquanto a inércia das autoridades públicas se mantiver, os estudantes serão obrigados a conviver com um dos mais graves problemas no ambiente escolar: o bullying.

O óbito dos 12 alunos, portanto, poderia ter sido evitado, caso houvesse efetivo combate ao bullying. Para erradicá-lo, o Ministério da Educação deve estabelecer, com frequência, campanhas capazes de desestimular a intimidação sistemática, por meio de aulas sociologia, com participação de psicólogos, que busquem desconstruir a cultura de preconceito, para que haja maior empatia entre os alunos. Por sua vez, os próprios estudantes precisam cobrar maior ação do Estado, por intermédio de denúncias realizadas, com o suporte do Ministério Público, contra escolas negligentes, como aquelas que se omitem, a fim de que a intimidação sistemática deixe de ser um problema silenciado.