Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 23/06/2019

Ao longo da história humana, a segregação da sociedade sempre esteve presente, o que isolava alguns grupos de indivíduos com características peculiares de outros que não possuíam tal quesito. Nesse viés, na sociedade moderna, a divisão entre as pessoas tomou proporções maiores, capazes de atingir até os jovens de maneira agressiva, como o bullying, que tornou-se uma ação de exclusão e de violência contra crianças que não se encaixam em determinado padrão. À vista disso, infere-se que tal problemática é inerente à uma cultura de padrões e à efemeridade da relação hodierna de pais e filhos.

A priori, consoante os filósofos da Escola de Frankfurt, a indústria cultural tornou a cultura em um objeto de consumo e desejo, através da alienação da sociedade com os meios de comunicação. Dessa maneira, as pessoas são constantemente bombardeadas com propagandas, de produtos e de beleza ideal, as quais levam os indivíduos a tentarem se adequar a esses padrões e grupos de forma imprudente. Assim, diversos jovens tentam se adaptar a determinados modelos e não conseguem, logo são rejeitados, rotulados e, muitas vezes, agredidos pelos membros desses grupos, o que ocasiona o desenvolvimento de transtornos e patologias mentais nesses jovens, como depressão. Isto posto, a prática do bullying aflige, cada vez mais, as crianças e jovens que não encontram apoio na família.

Outrossim, conforme o psiquiatra Augusto Cury, a sociedade vive em uma rotina altamente acelerada e ríspida, a qual as pessoas não possuem tempo para lidar com sua gestão emocional e relações pessoais. Destarte, a ausência de tempo para lidar com o lado emocional e interpessoal cria uma geração, a qual possui dificuldades em se relacionar com outras pessoas e de buscar ajuda ao se deparar com dificuldades no cotidiano. Dessa forma, jovens que sofrem bullying não conseguem ter uma relação de diálogo saudável com seus pais e esses por viverem em uma rotina acelerada não possuem tempo para adentrar na vida social de seus filhos, o que amplia a fragilidade e efemeridade dessa relação hodiernamente.

Portanto,  para o desenvolvimento de uma relação saudável entre pais e filhos e um método eficaz para lidar com a cultura de consumo, são necessárias mudanças estruturais. Com isso, cabe ao Ministério da Educação, através de diretrizes educacionais, a criação de projetos nas escolas, os quais visem trabalhar com os alunos sobre a importância das relações sociais entre todos e da inclusão independente das diversas propagandas que são veiculadas para eles, para que haja uma geração cônscia. Ademais, assiste ao Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Família, através de campanhas públicas em unidades básicas de saúde, a criação de programas para as famílias com acompanhamento de psicólogos, para que haja uma relação saudável entre pais e filhos.