Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 24/06/2019
Na obra “Pedagogia do Oprimido”, o filósofo Paulo Freire defende uma educação libertadora, pautada no respeito à dignidade humana. Hodiernamente, entretanto, quando analisa-se o ineficiente combate ao “bullying” no Brasil, é notório que esse objetivo está longe de ser alcançado. Nesse perspectiva, entender as causas dessa problemática é imprescindível para mitigar os seus efeitos.
A princípio, o despreparo dos centros de ensino em lidar com essa questão dificulta o seu enfrentamento. Embora a legislação brasileira disponha da Política Nacional de Combate à Intimidação Sistêmica, aprovado em 2015, que prevê a necessidade das escolas adotarem medidas de prevenção e coibição do “bullying”, a ausência de mecanismos de fiscalização facilita o descumprimento. Por conseguinte, os impactos dessa negligência são sentidos no aumento de casos desse tipo de violência nas instituições educacionais, que podem levar a tragédias, como os massacres no início de 2019 em uma escola de Suzano, em São Paulo.
De outra parte, as consequências dessa prática para a saúde mental são indubitáveis. Sob esse viés, quando o sociólogo americano Talcott Parsons defende que a família desempenha papel essencial na estabilização emocional do indivíduo, ratifica a importância de um maior acompanhamento sistemático dos pais para identificar possíveis vítimas. Todavia, a falta de diálogo entre pais e filhos é um obstáculo que contribui para continuidade do “bullying”, o que pode gerar diversos transtornos psicológicos, como a depressão. Sendo assim, para que a escola seja um ambiente educativo e, não de violência, é mister a participação familiar nesse processo.
Urge, portanto, relevância de ações que transformem esse cenário problemático. Para que o respeito seja fomentado nos espaços de aprendizagem, cabe ao Congresso Nacional aumentar os percentuais de investimento na educação, por meio de alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias para que sejam revertidos pelo Ministério da Educação em projetos nacionais de combate ao “bullying”, mediante a capacitações de professores e funcionários por instituições renomadas no assunto, como Programa Semente, que se propõe trabalhar as habilidades socioemocionais dos alunos e, assim, prevenir conflitos.Além disso, as escolas devem incentivar o envolvimento da família nesses projetos, a partir da elaboração de ciclo de palestras com psicólogos e psicopedagogos acerca do assunto. Aumentam-se, desse modo, as chances de alcançar a educação defendida por Paulo Freire.