Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 24/06/2019

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o corpo social pode ser comparado a um “corpo biológico”, composto por partes que se relacionam. Desse modo, é preciso uma interação harmônica entre os indivíduos para que o seu funcionamento não seja comprometido. Contudo, na sociedade pós-moderna, isso não ocorre, pois os impasses, como a prática do bullying, perturbam a ordem social e fazem diversas vítimas todos os dias. Diante disso, pode-se destacar o reflexo familiar e a inoperância legislativa como os principais propulsores desse problema.

Em primeiro plano, comportamentos agressivos e posições preconceituosas, no contexto familiar, influenciam, de forma negativa, a formação social do ser humano. Isso ocorre porque, segundo a teoria da tábula rasa de John Locke, o homem é como uma tela em branco, que é preenchida por experiências e influências. Sob essa perspectiva, é possível afirmar que com o decorrer do tempo e do contato infantil com os costumes e hábitos agressivos dos seus familiares, as crianças acabam verbalizando por si mesmas as opiniões dos pais, o que proporciona o surgimento de comportamentos inadequados que se manifestam em diversos âmbitos sociais, principalmente na escola. Em consequência disso, atitudes hostis e pensamentos intolerantes são perpetuados no corpo social.

Ademais, nota-se que a efêmera aplicabilidade das leis existentes propicia a banalização da intimidação sistemática. Isso acontece pois, mesmo após a criação da Lei Antibullying - que determina que será considerado bullying todo ato de violência física ou psicológica intencional e repetitiva, causando dor e angústia à vítima - , muitos indivíduos ainda são afetados devido à existência de uma relação desigual de poder, no qual a pessoas que sofre a violência se encontra em um contexto de inferioridade, o que acarreta, muitas vezes, na abdicação da realização da denúncia, por medo da retalhação do agressor. Nesse sentido, a falta de fiscalização no cumprimento das leis promove a disseminação e a manutenção de ações de cunho violento na sociedade.

Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para mitigar esse problema. Para isso, a Mídia, em conjunto às instituições de ensino, de promover a criação de ficções engajadas, como novelas, filmes e seriados, que transmitidos nos diversos meios de comunicação sejam capazes de pôr em debate a importância do respeito as diferenças e do combate as atitudes violentas, a fim de não apenas conscientizar a população acerca de seus malefícios, mas também incitar uma mudança efetiva no comportamento social das pessoas. Então, uma sociedade mais harmoniosa e tolerante será instaurada.