Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 26/06/2019

A opressão ao próximo

A série americana “13 Reasons Why”, mostra a história de uma adolescente que, por conta de vários tipos de opressões e exclusões presenciadas em seu ambiente escolar acabou tirando sua própria vida. Nesse sentido, é inferível como a problemática do bullying encontra-se enraizada no âmbito social. A partir dessa perspectiva, percebe-se que essa prática encontra espaço na medida em que é pouco compreendida e discutida pela população e órgãos educacionais na maioria dos casos, além de derivar de um modelo de sociedade individualista predominante na contemporaneidade.

Seguindo essa linha de pensamento, se faz importante ressaltar como a negligência na discussão e identificação de  atitudes discriminatórias contribui para sua perpetuação. A respeito dessa ideia, a filósofa alemã Hannah Arendt, teorizou que o mal só se difunde quando acha espaço e um vazio de pensamento necessário para tal. Então, pode-se fazer uma analogia de que a persistência na prática do bullying perpassa, em vários casos, o pensamento elucidado pela pensadora europeia, já que a baixa ênfase e polemização dessa questão em muitas situações no meio social atual, devido principalmente a um tangenciamento de sua gravidade, faz com que as pessoas tenham dificuldade em compreender esse assunto, pela falta de conhecimento sobre ele, e também de  identificar sua ocorrência e efeitos em outros indivíduos. Isso corrobora em uma menor conscientização e combate ao problema.

Em segundo plano, deve-se enfatizar a influência do sistema econômico nas práticas coercitivas apresentadas. O sociólogo francês Pierre Bourdieu, ao analisar o efeito do modelo capitalista na sociedade, observou que ele induz a uma violência simbólica, gerada por causa das desigualdades entre os membros dessa realidade. Com isso, é válida a reflexão de que o panorama mercadológico proposto por Bourdieu, o qual se apresenta como realidade em muitas populações atualmente, valorizando noções como o individualismo, uma educação escolar voltada majoritariamente uma lógica de trabalho e que diminui o desenvolvimento cidadão e crítico, e uma padronização de pensamento, tende a gerar exclusão e repressão de grupos que não estejam enquadrados nesse cenário, favorecendo as atitudes de discriminação e opressão.

Entende-se, portanto, que a realização do bullying é potencializada por aspectos intrínsecos do tecido social de um território. Logo a fim de amenizar essa problemática, urge ao Ministério da Educação promover campanhas anuais de engajamento da comunidade civil nas escolas e meios de comunicação nacionais a respeito da gravidade e necessidade de debate dessa questão, por meio de palestras com educadores e psicólogos, propiciando um maior senso crítico e luta contra esse mal.