Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 27/06/2019
Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente afirme que nenhuma criança ou adolescente deve ser vitima de violência ou discriminação, a prática do bullying ainda é comum nas escolas brasileiras. Por conseguinte, os efeitos dessas ações violentas são prejudiciais e reverberam em toda a sociedade. Ademais, é necessário analisar como a cultura de violência e a impunidade contribuem para a continuação dessa problemática.
Em primeira análise, observa-se a cultura da violência presente em diversos âmbitos sociais como uma das principais causas desse problema. Segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, quando o mal torna-se banal, o indivíduo perde a noção das consequências que suas ações podem gerar, ou seja, a criança ou adolescente ao ser exposto a práticas violentas e autoritárias em seu convívio social, acaba por reproduzi-las, pois acha natural tais ações. Desse modo, infere-se que essa falta de responsabilidade sobre essas ações contribui para a criação de uma naturalidade da violência, não apenas no agressor, mas também na vítima.
Somado a isso, constata-se a falta de punição para essas ações como um fator de perpetuação do bullying. De acordo com a Lei Antibullying, as escolas devem adotar medidas de combate e prevenção a essa problemática. Entretanto, nota-se a ausência e desconhecimento dos agentes educacionais acerca de formas de aplicação dessa lei. Devido a isso, a omissão da escola gera um sentimento de desconfiança na vítima para enfrentar essa questão. Por conseguinte, segundo Paulo Freire “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”, ou seja, a vítima pode começar a praticar ações violentas como maneira de superação da violência que sofreu.
Diante do exposto, é notória a importância de conter ações violentas contra crianças e adolescentes. Portanto, urge ao Ministério da Educação, em parceria com a Secretaria Especial de Direitos Humanos, a divulgação das consequências prejudiciais do bullying, por meio da inserção de aulas e palestras no currículo escolar, com vistas a promover a empatia e respeito à integridade do outro. Além do mais, é necessário que as escolas, juntamente à ONGs de combate ao bullying - como por exemplo, a organização Educar Contra o Bullying - preparem todos os professores e profissionais que atuem no ambiente escolar para reconhecer e impedir a continuação de práticas violentas, por intermédio de palestras e cursos, a fim de tornar a escola um espaço acolhedor, de apoio social e psicológico a vítimas e agressores. Somente dessa maneira, será possível fazer valer os direitos fundamentais previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.