Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 28/06/2019
Baixa autoestima. Queda no rendimento escolar. Aumento das doenças psicológicas. Eis as expressões de destaque quando o assunto é os efeitos do Bullying na sociedade. Nesse contexto, não há dúvidas de que a redução dos impactos dessas práticas é um desafio no Brasil, o qual ocorre devido, não só a negligência com a formação cidadã, no ambiente escolar, mas também ao fato da pouca compreensão e, consequente, banalização desse comportamento.
Em primeiro plano, a ínfima importância dada a formação socioemocional do indivíduo nas escolas conteudistas, que representam maioria no século XXI, é um fator determinante para a permanência do Bullying. No contexto brasileiro, tal realidade advém de um sistema educacional influenciado pelo modelo taylorista-fordista, no qual mecaniza-se o ensino, levando as crianças a simplesmente decorar conteúdos para atingir uma meta. Esse cenário catalisa a desumanização do ensino e um, consequente, não desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Com isso, percebe-se o agente de maior potencialidade, incapaz de promover a ampliação da inteligência emocional, que minimizaria os efeitos da agressão.
Vale salientar também, que a banalização do Bullying e de seus mais variados formatos dificulta ainda mais o seu combate. Na série “13 razões porquê”, divulgada na Netflix em 2017, a protagonista Hannah Baker comete suicídio, justificando-o em 13 fitas gravadas, retratando recorrentes intimidações que sofria por parte de seus colegas. Nesse sentido, vê-se que a morte dessa personagem e de muitos outros indivíduos, na mesma situação, poderia ser evitada se não houvesse a normalização, pela sociedade, de atitudes violentas. Com isso, analogamente ao pensamento de Confúcio, “Não corrigir nossas folhas é o mesmo que cometer novos erros.”, percebe-se a necessidade de investir em medidas que desconstruam essa realidade.
Fica claro, portanto, a necessidade de oferecer estratégias que atenuem a prática do Bullying e seus efeitos, mitigando a negligência com a formação cidadã. Para reverter esse quadro, urge que o Ministério da Educação adicione, por meio da Base Nacional Comum Curricular, disciplinas obrigatórias focadas no desenvolvimento socioemocional. Essa proposta objetiva a formação de cidadãos com consciência social, a fim de que esses conscientizem-se sobre seus direitos e os do próximo. Além disso, é imprescindível que o Poder Público destine maiores verbas a rede pública de ensino, disponibilizando psicólogos à todas as escolas. Somente assim, não cometendo novos erros e atenuando uma questão tão relevante na sociedade.