Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 18/07/2019
O ano era 1999. Dois adolescentes norte-americanos adentraram sua antiga escola secundarista matando, com requintes de crueldade, 12 pessoas antes de suicidarem, no episódio que ficou conhecido como Massacre de Columbine. Sofriam bullying, prática nefasta, presente na realidade mundial e brasileira, sobretudo em ambientes escolares e de vivência jovem. Emergindo no debate público apenas no seio de casos trágicos, o bullying é constante, deveras negligenciado e deve ser combatido por seu extraordinário potencial de produzir agressões, humilhações e tragédias.
Primeiramente é importante salientar, que toda prática na qual se tenha uma vítima, agredida e intimidada sem causa aparente, que se julga impossibilitada e vive à espreita da violência praticada por um dominador, se configura como bullying. Frequentemente, os atos ocorrem na presença de expectadores anuentes, que nada fazem por medo. Cerca de 18% dos estudantes afirmam já ter sofrido bullying, de acordo com o Atlas da Violência de 2017, frequentemente adolescentes mulheres, deficientes, negros e homossexuais. Concebe-se, assim, a prática como reprodutora dos preconceitos e anomias sociais, conforme afirma Eric Debarbieux, com assédios brutais e opressores.
Por outro lado, percebe-se uma negligência no modo como pais e professores lidam com o problema, não intervindo de forma efetiva, subestimando-o. O fato de não ouvir e/ou interpretar mensagens de ajuda, pedidos de socorro pelas vítimas, torna-os impotentes diante da possível resolução do quadro, levando-os assim ao extremo do sofrimento com graves consequências físicas e psicológicas. Exemplo recente no país, foi a tragédia da escola Raul Brasil, em Suzano-SP, no qual dois jovens mataram 10 pessoas a tiros, machadadas e flechadas, em um verdadeiro cenário de horror. Um deles sofrera bullying na escola.
É fundamental, portanto, a instituição de programas de combate e prevenção ao bullying, por parte das Secretarias de Educação, com grupos de profissionais de pedagogia e psicologia, que trabalhem no atendimento a pais, alunos e professores, com atuação na conscientização, identificação e atendimento psicológico, maximizando o caráter preventivo. Bem como, estabelecimento de canais de denúncia com penalidades rígidas, pelas escolas, a agressores e simpatizantes, com tolerância zero a discriminação e violência de toda sorte, sabendo que o bullying é um mal a ser debelado, para que se evite tragédias e que, em ambientes juvenis, o que se ofereça seja, sobretudo, dignidade.