Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 22/08/2019
John Locke, filósofo inglês do século XVII, afirma, em sua tese da tábula rasa, que o ser humano nasce sem conhecimento nenhum, como se fosse um papel em branco, o qual vai sendo preenchido por experiências e influências ao longo da vida. Nesse sentido, crianças que vivem em ambientes onde há discussões e violências rotineiramente, tendem a refletir, socialmente, em maus comportamentos, principalmente nas escolas. Tal situação pode desencadear o bullying, o qual, embora tenha sido sancionada a “lei anti-bullying” em 2015 no Brasil, tem crescido cada vez mais, devido à omissão familiar e negligência escolar.
Primeiramente, é válido destacar que, segundo Zygmunt Bauman, na era da modernidade líquida, os laços afetivos entre familiares se tornam fragilizados, afastando, cada vez mais, os membros da família. Assim, pai e mãe que vivem em constantes guerras em casa, acabam não dando a devida atenção aos seus filhos, que entram em um isolamento social. As crianças, por não possuírem referências sobre o que é certo e o que é errado, desenvolvem um sentimento de autonomia, que contribui para a falta de empatia. Isso reflete na escola, quando começam a intimidar, sistematicamente, os colegas de classe. Por outro lado, as instituições de ensino têm o dever de assegurar medidas de conscientização, diagnose e prevenção, de acordo com a lei anti-bullying. Entretanto, as escolas estão mais preocupadas em transmitir conhecimentos sobre matemática, ciências etc. do que passar valores que permitam à criança que sofre com problemas em casa, a aprender a conviver com as diferenças, visto que a maioria dos casos de bullying são relacionados à aparência física da vítima ou sua orientação sexual. O massacre de Realengo ilustra bem a necessidade de se combater esse tipo de violência intencional, pois o assassino era uma das vítimas durante seu tempo de escola.
Portanto, é preciso reverter esse quadro lastimável. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com ONGs especializadas em questões familiares, devem realizar fiscalizações rigorosas nas escolas para que cumpram os deveres estabelecidos pela lei e impor palestras aos pais dos alunos, com a intenção de informá-los acerca do bullying e as consequências que ele pode trazer, como massacres e suicídios em massa dos alunos.