Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 29/04/2020

18 de maio de 2018, em uma escola no Texas, EUA, nove estudantes e um professor morrem por tiros de um estudante. No mesmo dia, estreia a 2° temporada de “13 Reasons Why”, que, para a surpresa dos telespectadores, desenha a rota de eventos até um tiroteio em Liberty High: Tyler Down, excluído, estuprado e sozinho, desenvolve um desejo irracional de vingança. Fora das telas, atos de violência nas escolas brasileiras têm crescido exponencialmente, injustificáveis, mas advindos de fatores como a cultura do ódio e a instabilidade emocional do adolescente.

Em primeiro lugar, é importante destacar o Massacre de Suzano, chacina ocorrida em março de 2019 em uma escola estadual no município de Suzano, São Paulo, no qual uma dupla de atiradores, ex-alunos da instituição, invadiram o colégio, mataram 5 estudantes e 2 funcionárias e deixaram 11 feridos. Antes do ataque , num comércio próximo à escola, a dupla matou o tio de um dos assassinos. Após o massacre, um dos atiradores matou o comparsa e em seguida cometeu suicídio. Nesse viés, Haydée Caruso, socióloga brasileira, afirmou, no Correio Braziliense, que casos assim são motivados pelo bullying, mas principalmente por discursos de ódio e uma narrativa de fazer justiça com as próprias mãos, a cultura do ódio a qual atinge uma parcela mais jovem da população, os adolescentes, que estão construindo a própria identidade e definindo valores.

Por conseguinte, lembra-se do Massacre de Realengo, chacina ocorrida em abril de 2011 em uma escola municipal do bairro Realengo, Rio de Janeiro, no qual um homem de 23 anos, ex-aluno da instituição, invadiu um colégio e começou a disparar tiros contra alunos e se suicidou após ser atingido por um policial, 11 crianças morreram e 13 ficaram feridas, as vítimas tinham entre 12 e 14 anos, dados fornecidos pela Globo. Acerca disso, o assassino possuía uma carta de suicídio na qual afirmava ter sofrido bullying, sendo essa a motivação do crime, e como massacres escolares nos EUA e o 11 de setembro o inspirou a cometer o ato. Sendo assim, é evidente que houve a falta de uma orientação profissional e educativa, um adolescente sem estrutura cresceu e se tornou um adulto desestruturado que realizou uma atrocidade.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização das pessoas a respeito do problema, urge que o MEC crie, por meio de verbas governamentais, palestras realizadas por vítimas de bullying e psicólogos e esses últimos acompanhem os alunos para ajudá-los a criar estrutura emocional e os professores discutam em sala de aula o bullying e suas consequências e mostrem aos alunos como a violência gera violência. Somente assim, será possível erradicar o bullying e destruir a cultura do ódio.