Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 08/07/2020

Nas histórias em quadrinho “Turma da Mônica”, de Mauricio de Sousa, é retratado o bullying sofrido pela personagem principal Mônica, que revida sempre por meio de violência e, mesmo não deixando transparecer, sente-se magoada com a situação recorrente em sua vida. De maneira análoga ao desenho, a prática do bullying é algo frequente nas escolas brasileiras, sendo um ato normalizado pela sociedade e banalizado pelos pais, o qual pode gerar sérias consequências psicossociais aos envolvidos.

É válido retratar, em primeiro plano, de que forma a negligência da família e do corpo social, acerca desse cenário, contribuem para a persistência desse mal nas escolas brasileiras. Referindo-se a todas as formas de violência — moral, verbal ou física —, o bullying consiste na imposição de poder entre os alunos e, geralmente, torna-se constante, devido ao silêncio do oprimido. Nesse âmbito, pais pouco presentes na vida de seus filhos, aliados a uma escola que não investe na saúde mental de seus alunos, colaboram com a permanência dessas agressões, visto que não auxiliam no combate dessa prática — seja incentivando as vítimas a denunciarem o ocorrido ou impedindo o agressor, já que a melhor forma de atacar uma mazela social é atingindo suas causas e não o seus sintomas mais evidentes.

Cabe considerar, em segundo plano, as consequências dessas ações, as quais afetam tanto opressor, quanto oprimido. Partindo desse preceito, a pessoa que pratica o bullying, sentindo-se forte e dominadora, pode levar para sua vida adulta o comportamento violento e ofensivo, tornando-se, assim, um péssimo indivíduo social. Ademais, o estudante que sofre com esse fato social patológico, pode desenvolver problemas de relacionamento e baixa autoestima, podendo chegar a casos de depressão e ao suicídio, uma vez que, segundo o sociólogo Émile Durkheim, a pressão exercida sobre um indivíduo é capaz de leva-lo a dar fim à própria vida.

Mediante o exposto, conclui-se que a prática de bullying nas escolas do Brasil afeta toda uma geração. Dessa forma, torna-se necessário que o Ministério da Educação crie diretrizes escolares voltadas ao combate de atitudes agressivas nas escolas, por meio da inserção de matérias, como “responsabilidade afetiva” e “saúde mental”, nas grades curriculares. Pretende-se que, a partir dessa medida, em conjunto com a participação mais ativa dos pais na vida escolar de seus filhos, os alunos possam compreender os impactos dessa prática e melhorar a convivência nesse ambiente, distanciando a realidade dos quadrinhos infantis.