Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 10/08/2021

Consoante às afirmações do sociólogo Jean-Paul Sartre, a violência, em suas vastas manifestações, é sempre uma derrota. Analogamente, no Brasil pós-moderno, nota-se que a violência verbal, em forma de bullying, tornou-se um dos maiores prejuízos para a sociedade. À luz desse enfoque, urge ressaltar os efeitos que essa perversa realidade, com raízes na inoperância estatal e na letargia social, possui.

Diante desse cenário deletério, cabe salientar a indiligência do governo e seus frutos. Nesse viés, de acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Educação tornou-se uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações públicas. Isso é perceptível, seja pela carência de campanhas de conscientização acerca dos efeitos do bullying na sociedade, seja pelo pouco espaço destinado a debater os preconceitos que catalisam essa prática. Isso posto, infere-se que a ineficácia do Estado inviabiliza a resolução do tema e cerceia os afetados pelo bullying a uma realidade de marginalização social, o que leva a massacres por tiroteios em escolas, a exemplo do caso de Suzano em 2019.

Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social. De certo, mediante aos dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma verossimilhança entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros banalizaram e normalizaram o bullying, o que gerou efeitos como o aumento de casos de transtornos psíquicos, fato comprovado por um relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. À vista disso, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, pois, enquanto a sociedade for inerte, os impactos do bullying serão desprezados e mais crianças desenvolverão doenças mentais, como depressão e ansiedade.

Dessarte, fica claro que a gênese desse revés tem sua fundação nos fatos supracitados. Assim, cabe ao Ministério da Educação fazer campanhas de conscientização acerca da necessidade de se combater os efeitos do bullying, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e Facebook, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia. Outrossim, esse instituto deve, por meio das escolas, principal formadora de senso crítico desde a tenra idade, adotar na matéria de sociologia o debate sobre preconceitos, como o racismo, a xenofobia e a homofobia, com o intuito de mitigar os casos de bullying na sociedade. Espera-se, com isso, que essa degradante violência verbal não seja mais realidade no Brasil.