Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 23/10/2017
No dia 6 de novembro de 2015, entrou em vigor a Lei anti-Bullying, número 13.185, que determina às escolas e às famílias orientações de como combater esse tipo de violência. Contudo, percebe-se que a implantação dessa medida não foi eficiente, pois os casos dessa prática ainda são frequentes e, recentemente, outubro de 2017, um jovem de 14 anos, vítima de essas agressões, assassinou dois colegas, responsáveis pelas intimidações, em uma escola em Goiânia. Logo, percebe-se que medidas devem ser adotadas para conter as consequências dessa problemática.
Em primeiro lugar, nota-se que muitas escolas são ineficientes em combater o bullying. Isso acontece em virtude de haver uma banalização da gravidade de essa violência, conforme o pensamento da filósofa Hannah Arendt, a qual muitas vezes é vista, como “brincadeira de criança”. Essa realidade é preocupante, porque contribui com uma sociedade desarmônica em decorrência da perpetuação dessas agressões e na não intervenção em combatê-las. Além disso, as vítimas enfrentam consequências psicológicas, como angústias, as quais podem culminar até mesmo em um quadro de depressão. Ademais, há também a possibilidade de esses indivíduos na tentativa de eliminar o problema que enfrentam adotarem medidas violentas para conter seu sofrimento, semelhante ao caso que ocorreu em Goiânia.
Em segundo lugar, observa-se que algumas famílias contribuem com que seus filhos pratiquem bullying. Tal realidade deve-se, por exemplo, a existência de um ambiente familiar violento, no qual é comum haver agressões verbais e físicas entre os pais, e também a um precário ensino de valores éticos, como de respeito ao próximo. Diante disso, há a reprodução por essas crianças e adolescentes do modelo de comportamento violento doméstico que possuem nos ambientes, os quais frequentam, como a escola. Isso se manifesta, de acordo com o pensamento do filosofo John Locke, em sua teoria da tábula rasa, o qual afirma que o processo de agir das pessoas deriva das experiências vividas por elas durante seus processos de formação, as quais tendem a repeti-las ao longo de suas vidas.
Portanto, é preciso que o Ministério da Educação em parceria com psicólogos realize cursos de capacitação aos professores de como combater o bullying, efetivamente, por meio de reuniões individuais, frequentes, com os alunos que verifiquem a ocorrência de intimidações a eles. Além disso, essa mesma instituição deve promover aos pais da comunidade escolar palestras sobre a importância de se ensinar valores de respeito aos seus filhos por meio de diálogos e exemplos cotidianos. Dessa forma, conforme John Locke esse comportamento positivo será reproduzido por esse jovens, contribuindo com uma sociedade harmônica como a idealizada por Hannah Arendt.