Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 22/10/2017
Segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes divulgados em 2015, no Brasil, foi verificado que um em cada dez estudantes é vítima de bullying no ambiente escolar. Esse é o retrato característico da expansão da intimidação sistemática na sociedade brasileira. Entretanto, infelizmente, apesar da aprovação da lei antibullying, essa ação ainda é um problema persistente, estabelecendo uma relação de poder desequilibrada entre os indivíduos e, como pode ocorrer em qualquer contexto da sociedade, perpetua uma cultura de exclusão, intimidação e violência.
Em primeiro plano, as causas para essa prática são múltiplas. O principal meio educativo é a família, sendo assim, a exposição constante a situações de hostilidade familiar e a omissão dos pais na participação da educação dos filhos na qual, principalmente, crianças e adolescentes são sujeitados, são os principais catalisadores para a exteriorização e enraizamento da cultura de tal ato violento, por exemplo, nas escolas. Destarte, a epidemia da intimidação sistemática deve ser desconstruída, pois é contraditório que, mesmo em um Estado Democrático e com a existência de uma lei específica no seu arcabouço jurídico, a descriminação por meio do bullying ocorra de maneira ininterrupta.
Ademais, é notório que uma das formas de violência sistemática que mais cresce é a virtual, apesar de não ser um ato físico, os danos ocasionados com o intuito de causar sofrimento emocional e constrangimento social são gravíssimos. De acordo com dados da ONG SaferNET, em 2016, no Brasil, o número de casos de bullying online aumentou significativamente, foram 312 notificações; Tal acréscimo é atrelado a uma realidade tecnológica cada vez mais presente no cotidiano da população brasileira e a inércia das empresas de redes sociais de responsabilizar-se pela negligência diante da expansão do cyberbullying.
Logo, a persistência das múltiplas faces da intimidação sistemática deve ser desconstruída para garantir a eficácia da lei antibullying. Sendo os principais meios educativos as famílias e as escolas, é necessário a parceria com o Ministério da Educação, para a elaboração de um projeto de capacitação de pais, estudantes e funcionários escolares, com encontros periódicos com pedagogos, com o objetivo de conscientizar acerca dos efeitos nocivos dessa prática violenta, evidenciar a importância e o impacto dos pais na participação da educação dos filhos para a construção de valores morais. Além disso, é preciso das empresas de redes sociais mais investimento e assistência em Segurança da Informação, com a finalidade de aprimorar o monitoramento e denunciar a publicação de conteúdos com cyberbullying, pois a atual negligência dos administradores diante dessa problemática, facilita a sensação de impunidade e torna-se um obstáculo para a eliminação da intimidação sistemática.