Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 01/11/2017

A obra “Extraordinário”, de R.J. Palacio, trata a vida de um garoto que nasceu com uma anomalia e, por isso, tem sua face inteiramente deformada. Nesse ínterim, o garoto entra na escola e, devido a sua deficiência, sofre constantemente com o escárnio e o desprezo de seus colegas. Analogamente, esse cenário pode ser precisamente traduzido para a contemporaneidade na medida em que o bullying faz-se cada vez mais presente no cotidiano. Dessa forma, infere-se que essa prática é nociva ao convívio social, o que pode ser comprovado por Hannah Arendt e por exemplos hodiernos.

Ao analisar-se o conceito de banalidade do mal, proposto por Hannah Arendt, constata-se que em razão da superexposição da população a condutas discriminatórias, realizada por diversos canais comunicativos, originou-se um preceito de normatividade e aceitação social perante essas ações. Nessa perspectiva, pode-se concluir que, em muitas vezes, o cometimento da violência verbal é endossado por certos focos midiáticos e fica implícito em um contexto de descontração. Sendo assim, o comportamento é coercitivamente incorporado pelos indivíduos da sociedade sem a concepção da sua ilegalidade e, equivocadamente, é reproduzido livremente, causando, então, danos permanentes às suas vítimas.

Ademais, inúmeros acontecimentos da modernidade corroboram para a compreensão da nocividade da prática do bullying. O caso do menino de Vitória, por exemplo, que, aos 14 anos, se enforcou por ter sido hostilizado pelo seu excesso de peso, comprova a periculosidade e as proporções catastróficas que essa conduta pode ocasionar. Outrossim, o ocorrido no Colégio Goyases, em que um aluno do oitavo ano atirou contra outros estudantes por ter sido humilhado na sala de aula, também certifica o potencial negativo desse comportamento.

Diante dessa conjuntura, os malefícios do exercício do bullying ficam explícitos. Portanto, medidas devem ser aplicadas para mitigar o problema. Desse modo, a mídia deve atentar-se ao tema e desestimular a prática da violência verbal por meio do cancelamento de programas que endossem esses valores e sua reprodução por algum membro do corpo social. Somado a isso, as escolas, em parceria com a família, devem ensinar, desde a formação do indivíduo, o respeito às diferenças mediante a criação de projetos de inclusão que possibilitem a diminuição de casos como os supracitados no cotidiano brasileiro. Por conseguinte, o Brasil conseguirá vencer os entraves impostos por essa questão e, assim, as consternações do menino extraordinário serão apenas parte de uma trama literária não correlata com a realidade.