Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 25/10/2017
O livro ‘‘Todos contra Dante", de autoria do escritor brasileiro Luís Dill, relata a história de um jovem que sofria bullying por colegas da escola, e trás a reflexão em que uma inofensiva brincadeira de criança pode adquirir proporções maiores, de modo a ferir a integridade pessoal do indivíduo. Por ser caracterizado como agressões intencionais, físicas ou psicológicas, feitas de maneira repetitiva, o bullying pode resultar em efeitos danosos à vítima, trazendo consequências dentro do convívio social.
Primeiramente, vale ressaltar que a ex-presidenta Dilma Rousseff sancionou, em 2015, a Lei do Combate ao Bullying, que tem por objetivo prevenir e combater a prática dessa ação sistemática em toda a sociedade. Porém, segundo pesquisa realizada pelas Nações Unidas (ONU) em 2016, em escolas brasileiras, cerca de 43% dos alunos entrevistados relataram ter sofrido bullying no ambiente escolar, ou seja, apesar dos esforços do Estado, essa prática ainda persiste no país. Devido ao fato de ser analogado à “brincadeira de criança”, o bullying, por vezes, não recebe a devida atenção dentro das instituições de ensino, trazendo consequências para a vítima, como baixa autoestima, queda no rendimento escolar, comportamentos agressivos e dificuldade de relacionamento com outras pessoas.
Além disso, o cyberbullying, bullying cometido dentro do ambiente virtual, principalmente em redes sociais, é outro impasse. De acordo com pesquisa promovida pela Intel, aproximadamente 66% dos entrevistados relataram ter presenciado algum tipo de violência nas mídias sociais e 21% afirmaram que já foram vítimas de tais atos. Os principais afetados são adolescentes entre 13 e 16 anos que, muitas vezes sem o conhecimentos dos pais, são perseguidos e humilhados na internet. Muitos desses jovens, devido à alta exposição que lhes foi colocada, acabam adquirindo patologias mentais, como a depressão e a ansiedade, que em alguns casos leva ao suicídio.
Dessa forma, torna-se evidente que o bullying resulta em sequelas ao indivíduo, sendo necessário, portanto, medidas para amenizar o impasse. O Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Ministério da Saúde (MS), deve realizar a capacitação dos docentes e agentes escolares, através de cursos e palestras, com o intuito de informar sobre as consequências do bullying e do cyberbullying, bem como identificar tais atos dentro do ambiente escolar e a melhor forma de proceder quando identificados. Além disso, a criação de aplicativos para celulares, por empresas de Software e com apoio governamental, nos quais as vítimas podem realizar denuncias contra os agressores anonimamente, bem como contar com a ajuda de psicólogos voluntários, seria oportuno para que sejam identificados e punidos da maneira correta os praticantes do bullying e do cyberbulling, assim como a vítima poderá ser encaminhada ao atendimento psicológico necessário para evitar sequelas maiores.