Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 24/10/2017
Em seu livro “Extraordinário”, o autor R.J. Palácio relata o bullying pelo personagem Auggie, o qual teme o início das aulas pela possibilidade de não ser aceito pelos colegas de sala devido as suas deformidades faciais. Fora da literatura, entretanto, essa também é a realidade de diversos estudantes brasileiros que são diariamente assediados no ambiente escolar. Nesse contexto de violência, faz-se imperativo discutir do crescimento do bullying, como apontou o censo do IBGE, ressaltando suas causas e seus efeitos.
A princípio, convém pontuar que a naturalização da agressão escolar corrobora para o agravamento das hostilidades nesse ambiente. Comprova-se que a vítima, na maior parte das vezes, não é levada a sério pelas respostas que obtém ao buscar ajuda, como: “isso é coisa de criança”, “tenho certeza que ele te bateu porque vocês estavam brincando”, “é só um apelido, não faz mal”, demostrando que o bullying ainda é tido como normal na sociedade. Para Émile Durkheim, o ser humano é social, passível de sofrer coerção. Sob esse viés, nota-se que diante da impunidade e normalidade da violência, essa prática se propaga, já que o agressor não é devidamente punido e, por vezes, é o exemplo de valentia e coragem da sala de aula, incentivando os outros a fazerem o mesmo.
Ademais, convém frisar que hostilidades, como a citada, têm potencial para desestruturar psicologicamente e socialmente um indivíduo. Exemplifica a situação de prejuízos emocionais pelo Massacre do Realengo, em 2011, no qual um jovem de 23 anos assassinou cerca de 10 estudantes do mesmo local em que estudou após ter relativo sofrer por muitos anos assédio. Dessa maneira, percebe-se que a vítima torna-se passível de transtornos pós-traumáticos, exibindo a urgência em atenuar o bullying. Ainda sob perspectiva de Émile Durkheim, sendo a infância e a adolescência o período em que se desenvolve valores éticos e morais, é notório a relação entre violência sofrida e o caráter agressor na fase adulta.
Logo, é inquestionável que o bullying deve erradicar-se para assegurar o adequado desenvolvimento dos jovens. Para isso, baseando-se no educador Paulo Freire, é necessária uma cultura de paz. Às escolas, com apoio do Ministério da Educação, cabe o papel de desenvolver um ensino tolerante, baseado em convivência harmônica com as diferenças, por meio de atividades lúdicas, coletivas e conscientizadoras incorporadas na grade curricular. Além disso, o Estado deve ampliar os serviços psicológicos fornecidos pela Saúde Pública, disponibilizando acesso imediato e gratuito, de modo a impedir que desastre como Realengo voltem a acontecer devido aos traumas da infância. Ainda, as famílias podem auxiliar, repassando valores éticos e morais aos filhos, ensinando-os o respeito.