Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 26/10/2017

Evidências científicas já reconhecem a degeneração da saúde adulta como resultado de infância e adolescência traumáticas. De encontro à essa assertiva revela-se, na contemporaneidade, a dispersão descontrolada do bullying. Este, por sua vez, tipifica-se como conduta violenta e de humilhação a outrem, cujas motivações e assiduidade denunciam uma sociedade delineada por padrões violentos, além de educação omissiva, realidade que carece de correções em prol da coesão social.

Acerca do âmbito explicito admite-se o entendimento de Françoise Héritier relativa à intolerância. Aquela concebe essa como o medo do diferente, em que o ideal de ser humano exclui os distintos de uma referência, assim procede como instrumento protetivo da supremacia do estereótipo normal. De certo, tal pressuposto corrobora-se na execução do bullying, uma vez que este é o reflexo agressivo do contato com o incomum. Logo, a consumação desse panorama denota a pífia promoção ao respeito às diversidades, por escola e família, dissipando uma identidade patológica ao contexto geral.

Subitamente, o bullying impõe à vítima uma perspectiva cruel quanto a sua própria personalidade, através da intimidação violenta. Nesse ínterim, a criança que detém a humilhação como evento cotidiano assume tendências comportamentais, a exemplo do isolamento, autodestruição e enfermidades emocionais, bem como postura vingativa, acarretando na replicação da violência. Os impactos referidos delineiam um crescimento instável, propício a doenças físicas e mentais, além de modelar um padrão pessoal, frequentemente, inviável ao convívio social harmônico.

Inegavelmente, frear tal prática é emergencial. Quando a isso, o Brasil implantou a Lei de Intimidação Sistemática impondo o combate ao bullying em escolas e clubes, cuja validade é indiscutível por trazer à tona um tópico, usualmente, ignorado pela população. Todavia, a permissividade originária da falta de punição expõe uma fragilidade dessa política, uma vez que de acordo com Durkheim a coerção induz a consciência coletiva, responsável pelo alinhamento da ação individual à estabilidade social.

Em suma, admite-se o bullying como expoente flagelo contemporâneo, que concebe uma necessidade imperiosa de ações aspirando ao fim desse evento. Conforme tal meta compete ao Estado, através da via legislativa, discutir a punição da conduta objetivando seu combate eficiente pela coerção. Outrossim, o Ministério da Saúde retém responsabilidade acerca de advertir a população quantos aos riscos e efeitos do bullying, por meio de propagandas midiáticas, bem como estruturar programa de saúde capacitado de tratar os impactos físicos e mentais da vítima, ambicionando a contenção dos malefícios da prática. À sociedade, personalizada na escola e família, compete a fomentação de denúncias ademais de, promover educação moral e ética a fim de edificar uma sociedade íntegra.