Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 27/10/2017

Determinismo opressor

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos para não transmitir a nenhuma criatura o legado da miséria humana. Talvez hoje percebesse acertada sua decisão: a postura de descaso das pessoas em relação à questão do bullying, uma das faces mais perversas de uma sociedade individualista, preconceituosa e opressora. Reverter esse quadro e promover o debate entre os jovens nas escolas é uma necessidade e um desafio para um país que se diz tão plural.

Dito fora por Kant que “O homem é aquilo que a educação faz dele” e, sendo assim, é necessário preocupação. Com efeito, violências verbais, físicas e psicológicas têm se intensificado no meio escolar, atingindo não só alunos, como, também, professores. Decerto que a falta de desvelo do corpo gestor e sua omissão são os principais facilitadores de tal quadro, porém, há também raízes históricas e sociológicas de caráter sutil.

Naturalmente, a engrenagem capitalista impõe hierarquias nas quais o poder é concentrado e, sobre os desfavorecidos, há opressão. Além disso, sob ângulos deterministas, o meio -corrompido moralmente e oligárquico- influencia o ser e é de conhecimento geral que estágios primários de formação do homem incluem a imitação de um padrão visto. Em casos de bullying racial, vê-se uma superiorização de brancos e, finalmente, impunidades familiar e social impulsionam as agressões.

Por conseguinte, os “bullies”, agentes agressores, tendem a desenvolver comportamentos violentos na vida adulta, acreditando serem impunes. As vítimas carregam hematomas físicos e psicológicos, perdendo autoestima, habilidades sociais e transtornos mentais como ansiedade ou depressão. Ainda se pode citar a redução da assiduidade estudantil. Confirma-se, assim, o teor potencialmente preocupador do pensamento Kantiano supracitado.

Vê-se então, de modo exposto, a mazela representada pelo bullying. Uma vez que pode advir várias causas, é primordial a ação do MEC (Ministério da Educação) para resolver o impasse, devendo promover colaboração dos corpos docente e discente para combater a passividade diante dos casos. Outrossim, é imperioso haver campanhas sobre a igualdade dos seres em geral e apoio claro às vítimas, tanto por meio de disponibilidade para que estas denunciem quanto punições severas para seus praticantes a servir de exemplo. Além disso, os próprios colegas de classe devem se posicionar contra estas agressões e compreender que não se trata brincadeira. Segundo Martin Luther King, “Toda hora é hora de fazer o que é certo”.