Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 27/10/2017

Segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, divulgados em 2015, no Brasil, foi verificado que, um em cada dez estudantes, é vítima de bullying no ambiente escolar. Esse é o retrato característico da expansão da intimidação sistemática na sociedade brasileira. Entretanto, infelizmente, apesar da aprovação da lei antibullying, essa ação violenta ainda é um problema persistente, estabelecendo uma relação de poder desequilibrada entre os indivíduos e, como pode ocorrer em qualquer contexto da sociedade, perpetua uma cultura de exclusão, intimidação e violência.

Em primeiro plano, as causas para essa prática são múltiplas. O principal meio educativo é a família, sendo assim, a exposição constante a situações de hostilidade familiar e omissão dos pais na participação da educação dos filhos, na qual, principalmente, crianças e adolescentes são sujeitados, são os principais catalisadores para a exteriorização de tal ato violento, por exemplo, nas escolas. Decerto, a cultura de violência sistemática deve ser desconstruída, pois é contraditório que, mesmo em um Estado democrático e com a existência de uma lei específica no seu arcabouço jurídico, a descriminação, por meio de bullying, ocorra de maneira ininterrupta.

Outrossim, a passividade das instituições de ensino de responsabilizar-se diante da expansão desses atos de violência são, primordialmente, ocasionados pela despreparação dos funcionários escolares e a preocupação apenas na transmissão de conteúdos, não raro, o ensino de valores éticos e morais são esquecidos. De acordo com a pesquisa do IBGE, divulgada em 2015, cerca de 47% dos alunos entrevistados relataram ter sofrido algum tipo de bullying, sem dúvida, as vítimas desse tipo de agressão sistemática têm maior predisposição para desenvolver doenças psicológicas, como a depressão e a ansiedade.

Torna-se evidente, portanto, que a epidemia silenciosa do bullying deve ser combatida, pois ocasiona prejuízos para toda a sociedade. Em razão disso, a Secretária Nacional de Promoção dos Direitos das Crianças e Adolescentes, em parceria com o meio midiático, com a finalidade de conscientizar e prevenir, deve disseminar, por meio de propagandas, a importância e o impacto dos pais na participação da educação dos filhos e os efeitos nocivos da continuidade do bullying na saúde mental e desempenho escolar das vítimas. Além disso, o Ministério da Educação, em colaboração com pedagogos e as escolas, deve realizar um projeto de capacitação dos funcionários escolares, pois o desconhecimento e despreparo são os maiores obstáculos para a identificação, prevenção e acompanhamento psicológico nas instituições de ensino. Desse modo, a intimidação sistemática deixará de fazer parte do cotidiano dos brasileiros e a sua lei específica será cumprida.