Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 04/11/2017
No drama “Preciosa”, de 2009, a personagem Claireece comprova que há 29 anos os Estados Unidos já discutiam o tão perigoso bullying. Violentada pelo pai e negligenciada pela mãe, a menina de 16 anos, já com um filho, ainda precisava lidar com os duros deboches em sala de aula, alimentando o seu isolamento e, consequentemente, o distanciamento do aprendizado escolar. No Brasil, a realidade não é diferente; porém, a verdadeira preocupação só chegou às instituições de ensino em 2016, ano em que a prevenção e o combate à prática virou lei no país. Isso confirma que, diferentemente da situação norte-americana, a luta aqui é recente e precisa ser valorizada, tanto no ambiente escolar quanto no familiar.
Em primeiro lugar, é preciso destacar a importância da escola na solução de atos como o bullying. Isso porque, além da simples exposição de conteúdo, é seu dever educar o aluno para a convivência no coletivo, nas relações pessoais e profissionais. Paulo Freire já falava em uma “cultura da paz”, evidenciando o papel da educação na exposição de injustiças, incentivando a colaboração, a convivência com o diferente, a tolerância. Isso comprova a necessidade de as instituições trabalharem o assunto dentro e fora de sala, combatendo a violência entre os alunos e dos próprios professores com os estudantes.
Apesar de acontecerem, em sua maioria, dentro das escolas — segundo dados do IBGE, o âmbito escolar é responsável por 85% dos casos — o bullying também podem ser combatido com a ajuda dos responsáveis. Para isso, porém, é necessário que o ambiente em casa seja de acolhimento, e não de repulsa. No filme, a mãe de Preciosa não apoiava a filha, não ligava para os seus problemas e, inclusive, permitia abusos por parte do pai. Se o espaço privado não é de compreensão, os problemas na rua se agravam e, consequentemente, o isolamento do indivíduo é cada vez maior. Claireece se escondia na sua imaginação, a única coisa que, de fato, a aceitava como era.
Destarte, torna-se evidente, a necessidade de se discutir a questão e o papel da escola e dos responsáveis nessa luta.O poder público, criador da lei que incentiva o combate à prática, pode fiscalizar as instituições e fazer valer o que está no Diário Oficial, contratando, inclusive, mais psicólogos para os colégios e promovendo treinamentos aos educandos, por meio de uma maior liberação de verbas, afim de que as instituições sejam locais de paz e não de violência mútua; permitindo, ainda, aos pais ou responsáveis participarem da vida acadêmica de seus filhos.Só com a parceria entre governo e cidadãos, o país se tornará em um ambiente de harmonia.Pois, como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação.”