Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 01/11/2017

Ao longo do processo de formação do Estado brasileiro, a dinâmica colonial engendrou relações de diferenciação comportamental para com determinados grupos, encarados como inferiores. Com isso, é observável na atualidade que a problemática do bullying parte justamente dessa lógica excludente, que tem influência intrínseca à realidade do “modus vivendi” contemporâneo, seja pelo descaso governamental, manifestado no sistema arcaico em que ainda é fundamentado o aparato de ensino, seja pela lenta mudança da mentalidade comum, que oprime e condena.

Nesse sentido, é indubitável que a metodologia de educação em voga não é imparcial, ou seja, em muitos casos ela transmite determinados valores que impactam a sociedade como um todo, principalmente na aceitação e respeito de diferenças. Segundo Heráclito, o conceito de “Panta Rei” sintetiza o estado de constante e necessária modificação em que a totalidade do universo se encontra, dialogando, assim, com as raízes da prática do bullying, uma vez que a própria didática de ensino permanece imutável, presa a arquétipos de décadas passadas, em que a individualidade dos estudantes não era relevada, de modo que os efeitos da violência, física e verbal, atentada contra aqueles vistos como díspares, são entendidos como mera “brincadeira”, perpetuando a problemática.

Outrossim, destaca-se o senso comum como impulsionador do problema em questão, amplificando ainda mais suas consequências na sociedade. De acordo com Durkheim, o fato social consiste num comportamento dotado de generalidade, coercitividade e exterioridade. Seguindo esse pensamento, é observável que a dificuldade de desconfiguração de preconceitos entre a população, que por sua vez são manifestados no ambiente estudantil, é análoga à teoria do sociólogo, na medida em que o aluno, originário de um meio que cultiva a intolerância contra certos grupos, tende a adotar tais ideais nas escolas e contribuir a ações de agressividade, geradoras de depressões e traumas entre os oprimidos.

Entende-se, portanto, que a prática do bullying no Brasil é responsável por hostilidades entre os estudantes, cuja permanência recai tanto sobre o Estado quanto sobre a sociedade civil. A fim de atenuar a problemática, cabe ao Ministério da Educação propor reformas constitucionais que proporcionem a acentuação do ensino voltado ao reconhecimento e harmonização das diferenças interpessoais. Ademais, é dever do Governo Federal a implantação de setores em delegacias especializados nessa tipologia de violência, bem como a criação de um plano de conscientização com abrangência nacional, aliado às emissoras televisivas, demonstrando os efeitos físicos e psicológicos resultantes das violências no ambiente estudantil, incentivando a realização de denúncias. Dessa forma, espera-se, a redução desse fato social e a mudança para um país menos agressivo.