Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 31/10/2017
Em seu romance “O Ateneu”, Raul Pompéia narra a história de Sérgio, e explora no internato uma convivência escolar marcada pelas relações de poder que implicam na prática de opressões. De maneira análoga, assim como na realidade literária, o bullying é um fenômeno social contundente, de saúde pública e que reflete um cenário de banalização. Ora, reverter esse quadro e suas consequências futuras é substancial.
Vale ressaltar, a priori, a postura omissa dos agentes de formação como fomentadores dessa prática. Émile Durkheim apregoava que a escola é a instituição responsável pela primeira formação moral do cidadão. Entretanto, ao olhar para os 30% de estudantes brasileiros que já foram violentados nesse local (fonte Estadão), fica claro como o que deveria exalar acolhimento e respeito, assemelha-se a um campo de guerra. Assim, casos como o do jovem de 14 que atirou em seus colegas de classe, em Goiânia, motivado por “brincadeiras” ofensivas deles, refletem como o alheamento pode atingir patamares horrendos se não for evitada.
Como substrato dessas atrocidades, destaca-se as sequelas psicológicas na vida do jovem. A adolescência é uma fase de aceitação, e quando as vítimas sofrem traumas que influenciam na forma de se relacionar, podem desenvolver problemas como crises de pânico, distúrbios de ansiedade e depressão. Este último corrobora para tendências suicidas. Na série americana “13 Reasons Why”, a personagem principal encontrou no suicídio a solução trágica para a negligência das marcas de humilhação que enfrentava. De fato, o silêncio dos bons é o mais preocupante, como afirmara Martin Luther King.
Depreende-se, portanto, o bullying como uma ação depreciativa que precisa ser combatida por todas as esferas civis. Para tal, recai na postura do MEC promover seminários aos educadores de como lidar e identificar situações de agressões, a fim de prepara-los para controlar essas ocasiões. Ademais, cabe às escolas repassar essas informações aos pais e responsáveis, por intermédio de palestras, além de oferecer acompanhamento psicológico, para que haja um primeiro diagnóstico no meio familiar. Outra atuação dessas instituições se elucida em projetos pedagógicos que envolvam todas séries para divulgar conscientizar o bullying como problema crônico. Outrossim, a primeira educação deve partir do seio familiar, através de um diálogo pautado no respeito unilateral, como também, observar o retorno do filho da escola, visando uma precaução sobre o tema.