Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 31/10/2017

No drama “Preciosa”, de 2009, a personagem Claireece mostra que há 29 anos os Estados Unidos já discutia um tema que só chegou às instituições de ensino brasileiras em 2016, quando a lei anti-bullying foi colocada em vigor no país. Apesar de a norma prever a isonomia entre os cidadãos, a omissão familiar e a negligência das escolas são os principais responsáveis por ainda provocar casos de tal problemática na vida de diversos indivíduos.

Segundo a filosofa Hannah Arendt, “o mal é algo de que todos somos capazes.”, inclusive os familiares, que sem se dar conta são os principais responsáveis por permitir o bullying entre os indivíduos. Isso acontece porque, na sociedade hipercapitalista vivida nos dias atuais, o desejo insaciável pela obtenção do máximo lucro faz com que os pais destinem seu tempo mais ao trabalho do que à educação de seus filhos. Em decorrência disso, as crianças, muitas vezes, desenvolvem um sentimento de autonomia e de desamparo. Esses são  os principais responsáveis pela potencialização do bullying, já que a falta da educação impede que os agressores respeitem o próximo e que os agredidos busquem por ajuda.

Outrossim, a negligência das redes de ensino para com a prática, é um importante fator para a plenitude dos casos da violência. Jhon Dewey acreditava que, para o sucesso do processo educativo, bastava um grupo de pessoas se comunicando e trocando ideias sobre o seu dia a dia. O papel da escola, segundo ele, era conduzir as crianças ao sentido e a compreensão das coisas, o que não acontece no modelo pedagógico vigente. Esse, ao invés de ensinar os valores éticos, ensinam apenas conteúdos essenciais para as provas e ignoram as relações abusivas entre estudantes, que acontece, muitas vezes, nas próprias salas de aula. À vista disso que, de acordo com o IBGE, a presença de casos da repetição sistemática nas escolas brasileiras aumentou de 5% para 7%.

Destarte, é indedutível a necessidade da família e da escola no combate à tal humilhação. Para tanto, é essencial que a mídia, para buscar a conscientização dos familiares, dissemine propagandas que visem mostrar aos pais o que sua ausência na educação dos filhos pode causar na vida deles e dos que os cercam, a fim de que estes passem a ser mais presentes na vida e nos ensinamentos das crianças e dos jovens. Ademais, o Ministério da Educação deve reelaborar o currículo do ensino fundamental ao médio para introduzir neste disciplinas como ética e cidadania, além de promover severas punições aos agressores, como visa a lei de número 13185; medidas que ensinarão aos estudantes  valores essenciais como o respeito e a empatia. Diante dessa conjuntura, a lei prevista terá eficácia e casos como o do filme “Preciosa” serão mitigados no Brasil.