Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 03/11/2017
Em outubro de 2017, ocorreu uma tragédia que chocou o Brasil: um menino atirou em seus colegas de classe e assassinou duas pessoas. O motivo dessa tragédia foi o fato do atirador ter sofrido bullying. Diante de tal sucedido, observa-se que a humilhação, sobretudo entre os mais jovens, pode trazer consequências catastróficas como o ocorrido em Goiás. Desse modo, convém analisar como a intolerância ao diferente aliado à questões familiares contribuem para a problemática em questão.
Em primeiro plano, a intolerância quanto ao diferenciado é essencial para a persistência do bullying. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, os padrões e valores socioculturais são impostos e reproduzidos ao longo das gerações. Desse modo, as agressões a grupos minoritários advindos de séculos passados, acabam por perpetuar-se em tempos atuais. Tal fato é comprovado por dados de uma pesquisa do Instituto Abrace, em que 35% dos alunos presenciaram intimidações contra homossexuais, 33% em negros e 10% em deficientes. Por conseguinte, observa-se que tais violências podem ocasionar graves consequências nas vítimas, como doenças mentais e até mesmo o suicídio.
Além disso, o ambiente familiar desfavorável contribui para persistência do bullying. Isso acontece porque, de acordo com Paulo Freire em seu livro “Pedagogia da indignação”, as famílias experimentam a tirania de liberdade, uma vez que seus filhos detém elevada autonomia em seus domicílios. Desse modo, é habitual em tempos hodiernos que, indivíduos infantis que não possuem limites e regras, acabam por desrespeitar seus pais ou responsáveis. Logo, nas escolas - local onde é corriqueiro os casos de violência infantil - os filhos acabam por repetir tal agressividade com seus colegas, visto que eles tentam impor a soberania adquirida em sua moradia, com relação aos demais. Em consequência disso, observa-se que o ofensor acaba por denegrir e humilhar constantemente aqueles seres considerados mais frágeis, uma vez que o infrator tentar fixar sua dominação em seu círculo social.
Em suma, torna-se necessário mitigar o bullying. Nesse sentido, é necessário que o Ministério da Educação em parceria com as unidades escolares, promova rodas de debate e discussão acerca das consequências dolorosas que a vítima pode vivenciar e da diversidade populacional existente na sociedade, com o intuito de reduzir as agressões a indivíduos vitimados por sua diferença física. Outrossim, as escolas em parceria com as ONGs, devem informar as famílias, através de reuniões constantes no meio escolar, a importância de um ambiente domiciliar adequado ao crescimento infantil, com o objetivo de que o indivíduo possa ter uma formação educacional adequada, para que haja maior tolerância no ambiente escolar. Dessa maneira, acontecimentos infelizes como a tragédia no colégio goiana, possam ser minimizados.