Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 01/11/2017

O ápice do século XX foi marcado pelo hediondo massacre de Columbine, em que dois jovens estadunidenses assassinaram mais de 10 professores e alunos em sua escola de Ensino Médio. Ambos haviam desenvolvido comportamentos agressivos, após anos sofrendo violências diárias em seu meio escolar. Nesse contexto, deve-se analisar como a omissão familiar e as negligências educacionais resultam em situações graves entre os jovens.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a ausência da família é o principal fator desses conflitos. Diante disso, é necessário levar em consideração que os pais, por viverem em um mundo hipercapitalista, têm a necessidade de passarem mais tempo trabalhando, ao invés de participar do processo educacional e social dos filhos. Por consequência, as crianças desenvolvem uma autonomia para si, e não percebem a gravidade dos seus atos e acabam praticando, por exemplo, o bullying. De acordo com o sociólogo John Locke, isso ocorre devido às experiências e influências que os indivíduos vivenciam em seu meio.

De outro lado, também, as negligências das escolas somam e ampliam a problemática em questão. A priori, vale ressaltar que o modelo pedagógico vigente preocupa-se, desde cedo, em disseminar conteúdos e esquece-se de ensinar valores morais básicos que devem nortear as relações interpessoais. Com isso, as instituições de ensino, preocupadas em conteúdos, acabam sendo negligentes e responsáveis pela prática do bullying. Em conformidade com a psiquiátrica Ana Beatriz, a intimidação sistemática desenvolve no oprimido grandes vicissitudes psicológicas, como depressão, ansiedade e síndrome do pânico, e, em alguns casos mais extremos, acabam cometendo o suicídio, como retratou a série americana “Os Treze Porquês”.

Fica claro, portanto, o quão é necessário que a instituição familiar e escolar participe da construção social e educacional dos jovens. Em primeiro plano, os pais devem acompanhar o desenvolvimento social e escolar de seus filhos, e, sobretudo, desenvolver com eles uma relação familiar, a fim de construir saberes essenciais para as relações interpessoais, e, além disso, que não desenvolvam atos intolerantes reconhecendo as diferenças ao seu redor. Paralelo a esse conceito, o Ministério da Educação, junto às instituições de ensino, devem dispor para a equipe pedagógica, pais e alunos palestras educacionais, cujo objetivo seja identificar atos de bullying, pois, só assim, pode-se impedir que conflitos catastróficos, como o de Columbine, ocorra no Brasil.