Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 04/11/2017
Na obra “Carrie, a estranha”, de Stephen King, a personagem Carrie sofre com constantes atentados em seu ambiente escolar, o que posteriormente guia o enredo de terror para um massacre. No entanto, “terror” pode ser considerado o que a própria protagonista passa antes de tomar medidas drásticas, pois o bullying, caracterizado por essa violência intencional e repetitiva contra alguém ou um grupo, é um problema evidente na sociedade, tendo em vista que é o reflexo de uma disfunção na vida do agressor e que por fim acarreta problemas físicos e psicológicos à vítima.
Em primeiro lugar, é necessário ressaltar a importância de reconhecer que os praticantes de tal ataque, muitas vezes lidam com a baixa autoestima, problemas familiares e fragilidade emocional, e que tentando se autoafirmar, agridem física ou verbalmente o outro. De acordo com o filósofo francês Jean-Paul Sartre, outrossim, a violência se passa por uma resposta à violência alheia, simplificando, portanto, essa reprodução da brutalidade que torna-se perceptível nos episódios de bullying, tendo em vista que o papel de agressor, será ocupado por quem já foi, por sua vez, vítima de outrem.
Além disso, tratando-se do elo mais fraco desse cenário, o receptor da intimidação, é válido destacar que ele pode sofrer com danos corpóreos ou da psique, permanentes ou não. No universo de Harry Potter, criado por J.K. Rowling, por exemplo, o vilão da trama trata-se de alguém que durante toda a sua infância sofreu com um intenso bullying no orfanato em que viveu, tornando-se incapaz de amar, o que por conseguinte trouxe todas as atrocidades que ele foi capaz de cometer. Tal cenário fictício, entretanto, mostra-se muito real, prova disso é o massacre de Realengo, no Brasil, cometido por um jovem que passou pelo bullying e sofria com problemas psicológicos. Não só dessas formas, todavia, podem se manifestar as consequências dessa violência, pois as vítimas podem também se isolar, perder o desejo de estudar ou trabalhar, desenvolver depressão e por vezes até cometer suicídio.
É notório, portanto, que os efeitos do bullying são um problema tanto para quem o comete quanto para quem o recebe. Logo, para suprimir a longo prazo tais efeitos, torna-se necessário que a mídia divulgue a lei contra a intimidação sistemática, sancionada em 2015 pela então presidenta Dilma Rousseff, que torna obrigatório que todas as instituições de ensino adotem uma política preventiva em relação ao bullying. Ademais, que a curto prazo, o Ministério da Saúde disponibilize cartilhas e palestras para mediadores do âmbito escolar e laboral, possibilitando um trabalho direto para que os agressores não sejam apenas punidos, mas sim tratados e compreendidos, e que os receptores de tal violência não se reprimam e encontrem ajuda e apoio psicológico, possibilitando por fim que o ciclo de violência retratado por Sartre seja interrompido.