Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 02/11/2017
O sociólogo Zygmunt Bauman defende, em sua obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais característica da pós-modernidade, sendo assim, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar as diferenças. Nesse contexto, observa-se os altos índices de bullying, praticado principalmente nas escolas, que com a omissão das mesmas e da família pode ter tristes consequências.
Primeiramente, é importante ressaltar o papel das instituições supracitadas nesse cenário. O foco das escolas no século XXI deveria ser o ensino colaborativo, entretanto, essa não é uma realidade. Elas, preferem omitir a existência dos conflitos entre alunos, em vez de deixar claro que não aceitarão tais práticas. Essa situação, aliada a falta de diálogo e compreensão da família, que por vezes acha que é “apenas uma besteira”, agravam o isolamento da vítima.
Ademais, é imprescindível destacar as consequências do bullying. Essa prática afeta, sobretudo, a saúde mental do indivíduo. Podendo ser um gatilho para transtornos como ansiedade e depressão, além da baixa autoestima. Alguns casos extremos também tem por uma de suas causas tal ato, como suicídios e massacres, a exemplo da tragédia ocorrida em Realengo, onde um ex-aluno -vítima de bullying - entrou em uma escola e atirou contra estudantes deixando dezenas de mortos. Tal fato, confirma o pensamento de Paulo Freire de que quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor.
Diante do fatos expostos, fica claro a necessidade de medidas para resolver o impasse. Para que isso ocorra é preciso que o Poder Judiciário fiscalize o cumprimento de leis, como a 13.185 na qual escolas devem adotar programas de combate a intimidação dos alunos, com a visita de fiscais a essas instituições. Mas também, que a Receita Federal, direcione mais verbas as escolas para a contratação de psicopedagogos que atendam os alunos em ouvidorias anônimas, para que não haja o medo de ser exposto e sofrer maiores intimidações. Por fim, esses locais devem promover palestras para pais e alunos - com psicólogas e pessoas que já foram vítimas do bullying - para uma maior conscientização dos problemas que essas agressões podem trazer, além de dinâmicas para maior interação entre os estudantes. Dessa forma, não se terá uma sociedade intolerante, mas aberta as diferenças.