Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 01/11/2017

Em O Ateneu de Raul Pompéia, Sérgio é levado para um afamado colégio de sua época e por repetidas vezes é agredido pelo forte Barbalho. Porém, longe da ficção, infelizmente, essa história parece se repetir. Seja pelo comportamento social e até mesmo pelas consequências dessas intimidações, o bullying desdobra-se no coletivo e reacende o debate de como atenuá-lo.

Em primeiro lugar, antes de tudo, convém destacar as motivações desse ato e suas sequelas. Aliando o conceito da teórica Hannah Arendt com o sociólogo Max Weber, o mal é algo de que todos nós somos capazes e ação do indivíduo é determinada pelos costumes e hábitos de seu meio. Dessa maneira, o agressor que busca a auto-afirmação de seu poder, não só justifica suas má ações na fragilidade da vítima, mas também se espelha  em hábitos constantes, como o de agredir alguém,   isso para se sentirem incluídos de alguma maneira em seu grupo social. Assim, os que sofrem desenvolvem amargos problemas como a depressão, baixo auto-estima e afins.

Por outro lado, as consequências do bullying podem ser mais severas, como é o caso do suicídio. Sob a ótica durkheimiana, o suicídio é um fato social e não individual como muitos pensam. Isso porque, sua causa está atrelada à influência do meio social que ora pode estimular de maneira positiva, ora negativa. Assim sendo, um ambiente hostil e pouco acolhedor aliado a ausência de diálogo desencadeiam no ato. Deprimido e solitário, o indivíduo desconhece seu papel social e busca no suicídio a tentativa de livrar-se das opressões até então sofridas.

Mediante os fatos supracitados, fica claro portanto, que a questão do bullying é consternadora na pátria canarinha. Por isso, é indispensável que a escola em parceria com o Ministério da Educação execute palestras e debates saudáveis sobre a temática a fim de incutir as consequências do bullying aos pequenos. Cabe ao Ministério da Saúde, a inserção de profissionais capacitados, como psicopedagogos no ambiente escolar, com a intenção de detectar supostas tendências depressivas e suicidas para tratá-las. Quanto a família deve estabelecer amparo e diálogo às vítimas dessa violência para facilitar a recuperação e busca por ajuda. Já a mídia, com seus alcance propagandístico, pode através de campanhas e ficções engajadas convocar os indivíduos para o combate do bullying e a prevenção do suicídio. Para que, finalmente, haja uma sociedade mais acolhedora e empática. Pois, já dizia o romancista George Bernand Shaw que o ódio é a vingança do covarde.